segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Jogadores iugoslavos e suas origens

     A finada Iugoslávia, como se sabe (ou se deveria saber), é um grande caldeirão étnico-religioso. Povos diferentes entre si que por décadas foram unidos sob a mesma pátria até a desintegração da mesma, na década de 90. O que sobrou da então Iugoslávia foram 7 "países". Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro, Kosovo (que a Sérvia afirma ser seu território), Macedônia e Bósnia Herzegovina. Muita coisa, não? Fica mais complicado ainda. Um território do norte da Sérvia, chamado Voivodina, também busca independência. E a Bósnia é separada em duas entidades autônomas: a Federação da Bósnia Herzegovina e a República Sérvia (não confundir com o país Sérvia), na qual predomina o povo sérvio, muitas vezes saudoso da Iugoslávia. Após a desintegração, o nome continuou Iugoslávia porém só compreendeu o território das atuais Sérvia, Montenegro, Kosovo e Voivodina. Em 2006, Montenegro declarou independência. Em 2008, foi a vez de Kosovo se declarar independente, sendo que a herdeira direta da Iugoslávia é a atual Sérvia.
     A Iugoslávia originalmente não era todos esses países juntos nem tinha esse nome. Após por muitos anos ser parte do Império Otomano - que viria a formar a Turquia, os sérvios e os montenegrinos conseguem independência dos otomanos (como países separados). Porém, grande parte do que viria a ser a Iugoslávia era parte do então Império Austro-Húngaro. Há, na Europa a ideia do nacionalismo muito em voga, o que impulsa o movimento pan-eslavista, que pregava a união dos povos eslavos. Inclusive, a ânsia pan-eslavista e nacionalista sérvia leva ao assassinato do Arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando causando a Primeira Guerra Mundial, e com ela a dissolução da Áustria-Hungria. Parte do território austro-húngaro (esta parte que se declarou independente, formado o Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios) decide se unir com o Reino da Sérvia (que na época também compreendia a Macedônia) e o Reino de Montenegro e forma o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que em 1929, sob comando do Rei Alexandre I da Iugoslávia, vira Reino da Iugoslávia.
     Com a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia sofre um golpe de estado e em seguida é invadida e dividida. Parte do território vai para países aliados do Eixo e outra parte se transforma em Estados fantoches, como o Estado Independente da Croácia, comandada por Ante Pavelic, chefe de um movimento católico-fascista chamado Ustase e o Governo de Salvação Nacional, que era no que hoje é a Sérvia, comandado por Milan Nedic.
     A partir de então surgem os partizans, que são uma guerrilha que lutava contra a dominação estrangeira. Os partizans são liderados por Josip Broz Tito - que seria presidente iugoslavo até sua morte, em 1980. E com apoio limitado das potências estrangeiras Aliadas, Tito consegue expulsar os alemães e italianos e forma, em 1945 a República Popular Federal da Iugoslávia, em 1963 renomeada para República Socialista Federal da Iugoslávia, baseado no nacionalismo eslavo, comunismo, autogestão socialista e independência tanto da URSS como dos EUA, liderando o Movimento dos Não Alinhados, que buscava reunir num grupo países que não se alinhavam politicamente nem com a URSS nem com os EUA durante a Guerra Fria. Após a morte de Tito em 1980, os movimentos independentistas ganham força e acabam por desintegrar o país, passando por guerras muito violentas.
     Muito se diz que se a Iugoslávia fosse hoje unida seria uma séria candidata a ganhar a Copa do Mundo. Porém o foi por muitos anos, havia apenas a seleção iugoslava, que conseguiu chegar até as semifinais de uma Copa do Mundo. Um de seus grandes times foi de 1990, que tinha em seu plantel jogadores como Pancev, Stojkovic, Boksic, Prosinecki e o grande Davor Suker, artilheiro da Copa do Mundo de 1998, na França. Uma união de tantos países só podia resultar em gente de muitos países diferentes jogando sob a mesma camisa, não? Acompanhe nas seguintes estatísticas o quão sérvia, o quão bósnia, o quão croata eram as seleções iugoslavas.
    A primeira: a seleção que jogou a Copa de 1930, no Uruguai. Fez uma grande campanha e chegou às semi-finais. Começou caindo no grupo de Brasil e Bolívia. Estreia em copas vencendo o Brasil por 2x1 e goleando a Bolívia por 4x0, se classificando para as semifinais, nas quais enfrenta o poderoso Uruguai de Cea, Scarone e do "Manco" Castro, que não tinha uma mão. Porém, como podemos ver, era praticamente uma seleção sérvia.


      Dos 17 jogadores, 14 eram sérvios, 1 voivodinense (que ainda hoje são sérvios), 1 montenegrino (que até poucos anos também seria sérvio) e um cuja origem é desconhecido, devido ao acesso a informações ser mais precário na época.
    Nas eliminatórias para a Copa de 1934, cai no grupo de Suíça - que sai vencendo por 2x0 mas deixa empatar - e Romênia, Após a derrota para Suíça, a mesma enfrenta a Romênia, que também abre 2x0 na Suíça e deixa empatar. No entanto, a Romênia usou um jogador irregular, portanto o resultado ficando 2x0 para a Suíça, que se classificou. Então Romênia e Iugoslávia jogam - em Bucareste, capital romena - o último jogo, valendo vaga. A Iugoslávia tinha a vantagem do empate e estava exercendo até os 29 do segundo tempo - quando o austro-húngaro de nascimento Dobay marcou 2 a 1 para os romenos. Como o placar se manteve, os romenos se classificaram e os iugoslavos ficaram a ver navios.
    Já em 1938 nas eliminatórias enfrenta a Polônia. Na ida, em Varsóvia, toma acachapantes 4x0 (com um gol de Ernest Wilimovski, que depois faria 4 gols na seleção brasileira num histórico jogo vencido pelos brasileiros por 6x5), ganhando de 1x0 na volta e sendo eliminada pela média de gols.
    Em 1950, no pós-guerra e já vivendo sob um o domínio titoísta, caem no mesmo grupo da fraca seleção israelense nas eliminatórias. Vencem os dois jogos - por 6x0 em casa e 5x2 fora - e partem para enfrentar a França. Empatam por 1x1 tanto em Paris como em Belgrado, e partem para um emocionante jogo-desempate em Florença, na Itália. Mijahlovic abre o placar aos 12 minutos, com Walter empatando um minuto depois para os franceses. Aos 38 do segundo tempo Luciano vira o jogo para os jogadores da terra de Asterix e Obelix. Quando tudo parecia estar perdido, Mihajlovic novamente marca, de pênalti, levando para a prorrogação. Aos 9 minutos do segundo tempo da prorrogação, o croata Cajkovsi faz gol, este que carimba o passaporte iugoslavo rumo ao Brasil. A origem de seus jogadores era a seguinte:


       Como pode ser visto, um grande domínio de jogadores croatas, com um número considerável de sérvios e voivodinenses. Também há uma pequena presença de bósnios e ainda um jogador de origem incerta. Nesta edição caiu no grupo de Suíça, México e Brasil, e venceu os dois primeiros (os suíços por 3x0 e os mexicanos por 4x1), jogando a vida ou morte contra o Brasil. Tendo a vantagem do empate, perde por 2x0 com gols de Ademir de Menezes e Zizinho (futuros artilheiro e melhor jogador da Copa, respectivamente) e pára na primeira fase.
     Em 1954 uma classificação foi possível, caindo no grupo de Grécia e Israel. Venceu todos os jogos pelo placar mínimo - todos gols marcados por jogadores diferentes. Se nota uma estrutura muito parecida em questão de origens, praticamente inalterada.


Somente duas diferenças: um sérvio a menos, enquanto tivemos a adição e um montenegrino de mais um voivodinense. Pegou também um grupo quase idêntico ao de 1950: Brasil, México e França. No entanto, desta vez conseguiu se classificar após vencer a França e empatar com o Brasil. Nas quartas-de-final enfrentou a poderosa Alemanha de Rahn e Fritz Walter e foi eliminada, numa derrota por 2x0.
    Vivendo uma boa geração, a classificação para a Copa de 1958 aconteceu de maneira emocionante. No mesmo grupo de Grécia e Romênia, vinha de dois empates fora de casa e uma vitória em casa até o jogo final, contra a Romênia, valendo vaga, em Belgrado, capital iugoslava. Tendo que vencer, Milutinovic, um dos grandes craques iugoslavos, marcou os dois gols, Porém, o time era muito diferente - falando em questão de origens.


    Houve uma diminuição grande do número de croatas, havendo um aumento de voivodinenses e principalmente de montenegrinos. Caiu no mesmo grupo de Paraguai, Escócia e a temível França de Piantoni, Kopa e Fontaine, vencendo a mesma por 3x2 e passando de fase em segundo lugar, com mais dois empates - o último emocionante, um 3x3 contra os paraguaios. Nas quartas enfrenta novamente a Alemanha e perde de novo, novamente com gol de Rahn, desta vez o único da partida.
     1962: fez a segunda melhor campanha da sua história, ficando em quarto lugar. Começa as eliminatórios no grupo de Polônia e Islândia, que viria a desistir. Contra a Polônia empata fora e vence em casa, passando para o jogo com a Coréia do Sul - um grande jogo com um fundo ideológico, sendo que a Coréia do Sul havia passado por uma guerra com o vizinho socialista Coréia do Norte. Vence os dois jogos com facilidade, 5x1 em Seul e 3x1 em Belgrado. Seu time era assim:


    Desde o começo você deve estar pensando porque havia um quadro para jogadores alemães e italianos. Aqui ele começa a fazer sentido. Petar Radakovic nasceu em Fiuma, na Itália. Apesar de hoje fazer parte da Croácia, ainda fala um dialeta do veneziano. Esse equipe iugoslava era a mais diversa, havendo gente de todo lugar - menos da Eslovênia. Se destaca o grande número de sérvios e bósnios. Na fase de grupos enfrentou o Uruguai, a Colômbia e ninguém menos que a poderosa URSS de Lev Yashin. Estreia perdendo para a URSS, depois vencendo o Uruguai por 3x1 e goleando a Colômbia por 5x0, selando a classificação. Após a classificação para as quartas de final, enfrentou quem? Isso mesmo, pela terceira vez seguida, a Alemanha. Desta vez, conseguiu vencer por 1x0  num jogo disputadíssimo - o gol da vitória veio aos 40 do segundo tempo - porém levou 3x1 nas semifinais da Tchecoslováquia de Masopust, Schrojh, Popluhár e Pluskal. Na decisão de terceiro lugar, perdeu para o anfitrião Chile pelo placar mínimo, com um gol aos 45 do segundo tempo.
     Após duas edições fora das copa, voltou a disputador a mesma em 1974.


     Em 1966 cai no grupo da fraca Luxemburgo, além de Noruega e da poderosa França. Com duas derrotas fora de casa fica em terceiro lugar e não consegue se classificar.
     Já na próxima edição, em 1970, fica no mesmo grupo de Bélgica, Espanha e Finlândia. Apesar de golear a Finlândia duas vezes - 9x1 e 5x1- se complica contra a Espanha e acaba em segundo lugar, ficando de fora.
     Na outra edição das eliminatórios, em 1974, fica no grupo de Espanha e Grécia. Empata com a Espanha em pontos e vence o jogo-desempate contra a mesma em Frankfurt, por 1x0 e garante sua vaga na Copa.
     Outra vez com um equipe muito diversa (no entanto com muitos sérvios), caiu no mesmo grupo de Brasil, Escócia e Zaire. Passou em primeiro lugar, metendo históricos 9x0 na seleção do Zaire. Na segunda fase, caiu no grupo da poderosíssima Alemanha Ocidental, de Sepp Maier, Beckenbauer, Gerd Müller e cia, a Polônia de Tomaszewski, Zmuda, Deyna, Szarmach e o artilheira da copa, Lato, além da Suécia. Ficou em último no grupo e não foi às semifinais.
     Em 1978 fica no grupo de Espanha e Romênia. Vivendo grave crise no futebol, só consegue uma vitória - um histórico 6x4 contra a também socialista Romênia em Bucareste - e fica na lanterna do seu grupo, nem passando perto de disputar a Copa.
    Mas em 1982 a vaga vem, e de maneira gloriosa. Caindo no grupo de Luxemburgo, Grécia, Dinamarca e a poderosíssima Itália (que viria a ser campeão da Copa) e passa em primeiro lugar, vencendo 6 jogos (3 por goleada), empatando um e perdendo apenas um, para a Itália em Torino, empatando a volta em casa. Caindo no grupo de Espanha, Irlanda do Norte e Honduras, decepcionou. Empate com os irlandeses, derrota para os espanhóis e vitória apenas contra a fraca Honduras - com um gol de pênalti aos 43 do segundo tempo, ficando em terceiro lugar e então desclassificado. Outra vez diversa, porém com alto número de bósnios e croatas, sua composição era a seguinte:


     Em 86, não conseguiu a classificação. Caindo no grupo de Luxemburgo, Alemanha Oriental, Bulgária (que dentro do país começava a se destacar o futuro craque Stoichkov) e a França de Platini. Decepciona perdendo os dois últimos jogos - o último, contra a França em Paris, dava a vaga com vitória eslava - e ficando apenas em quarto lugar. Porém conseguiu em 1990, formando um de seus maiores times da história. Começou as eliminatórias no grupo de Chipre, Noruega mais a poderosa França e a sempre chata Escócia. Não só se classificou líder como invicto, com vitórias em todos jogos menos em Glasgow e em Paris. Caindo no mesmo grupo da futura campeão Alemanha Ocidental de Matthaus e da Colômbia de Higuita, Escobar, Valderrama e Rincón, se classificou em segundo lugar. Após ser goleada por 4x1 pela Alemanha, venceu a Colômbia e goleou os fracos Emirados Árabes Unidos, num jogo em que não ser goleado bastava para classificação. Quem comandou o show foi Pancev, com dois gols. Nas oitavas de final, ganhou da Espanha, com dois gols de Stojkovic, um no tempo normal e um na prorrogação, tendo perdido nas quartas para a Argentina de Maradona, ainda que somente nos pênaltis, em que o goleiro sulamericana Goycochea - que depois viria ter uma curta carreira no Internacional - brilhou, defendendo as cobranças de Brnovic e Hadzibegic. Seu time era assim:


    A última copa disputada pela Iugoslávia só não tinha kosovares, porém havia um alemão, Prosineki. Além dele, havim grandes jogadores como Stojkovic, Boksic e o futuro artilheiro de Copa do Mundo Davor Suker. Havia também um esloveno - apenas o segundo a disputar uma copa com a camisa da Iugoslávia. Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia declaram independência. Embora a guerra com os eslovenos tenha durado apenas 10 dias, a com a Croácia se tornou um conflito muito sangrento, e a com a Bósnia Herzegovina um conflito mais sangrento ainda, emq ue a Iugoslávia, na época comandada pelo sérvio genocida Slobodan Milosevic, fez horroes com o poovo bósnio, que até hoje vive dividido e em estado de tensão racial. Devido às guerras, foi banida da Copa de 1994. Após as guerras acabarem em 1995 (curiosamente, a Macedônia se separou sem tanto alarde), a Iugoslávia ainda disputou a Copa de 1998, porém já sendo nem sombra do que foi, sendo reduzido apenas à Sérvia, Montenegro, Kosovo e Voivodina. Acumulando todas as participações em copas, temos a seguinte disposição:


     Croatas e eslovenos empatam em número de jogadores (croatas vencem se considerar Fiume como Croácia), milhas a frente dos segundos colocados, bósnios. Seguidos de voivodinenses, montenegrinos e então um equilíbrio muito grande entre o número de jogadores de outras nações.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Melhores gaúchos dos campeonatos brasileiros

         Opa gente, tudo bom? Ando meio ocupado mas achei um tempo aqui pra trazer mais dados interessantes. Dessa vez: os melhores times de cada estado no Brasileirão numa análise histórica. Começando com o maravilhoso estado do Rio Grande do Sul:

Melhores gaúchos por ano

Nas tabelas, podemos ver o melhor do colocado no campeonato brasileiro da época ou correspondente, sendo que quando o fundo é amarelo indica que o time foi campeão.
Temos como pano de fundo no começo o fim da década de 50 e o começo da década de 50. Houve muitos anos de domínio muito grande no Rio Grande do Sul, nas décadas de 40 e começo da década de 50, pelo Internacional, do Rolo Compressor, de Carlitos (maior artilheiro da história do Colorado, com 485 gols) , Nena, Tesourinho, Villaba e cia. De 1940 a 1955, o Inter ganhou incríveis 13 gauchões de 16 disputados. Porém, no ano seguinte, o cenário começa a se inverter. 
Em 1956, começa a era de um dos maiores times da história do Grêmio. Em 1954, dois anos antes, é inaugurado o Estádio Olímpico, e seus resultados não demoram a vir: de 1956 a 1968, o Grêmio ganhou 12 de 13 gauchões disputados. Era o Grêmio de Everaldo, Gessy, Juarez, de Alcindo, o Bugre, maior artilheiro tricolor com 231 gols. Também se destacava, pela liderança, Aírton Pavilhão.
Essa disparidade entre os dois times viria a se mostrar a nível nacional: na finada Taça Brasil, o Grêmio foi o clube que mais participou - não só do RS, mas dentre todos os clubes do Brasil - só tendo ficado de fora em um ano. Sua melhor posição foi um honrado quarto lugar, sempre competindo contra esquadrões, como o Santos de Pelé, Botafogo de Garrincha, Palmeiras de Ademir da Guia, Djalma Santos, Cruzeiro de Tostão e etc.
No fim da década de 68 o cenário começava a se reverter de novo: o Inter começava a subir de novo. Em 1967 e 1968, nas duas primeiras edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, vulgo Robertão, ficou em segundo colocado. Porém, no ano de 1969 há um fato marcante para a história do futebol gaúcho: a inauguração do estádio Beira-Rio. Com ela, surgiram no Inter craques do naipe de Valdomiro, Claudiomiro, Dadá Maravilha, Manga, Falcão, Don Elias Figueroa, Carpeggiani, que formaram um dos maiores esquadrões da história do futebol brasileiro, apesar da forte concorrência da Máquina Tricolor, de Félix, Carlos Alberto Torres, Edinho, Dirceu, Rivellino e Dorval, também da concorrência do Cruzeiro de Raúl, Nelinho, Piazza, Jairzinho e Palhinha. O Inter consegue por 9 vezes seguidas, ser o melhor time gaúcho do campeonato brasileiro, um recorde estadual, duas vezes sendo nesse período o melhor clube do Brasil. Durante o período de 1968 e 1980 o Internacional só ficou fora dos 5 melhores colocados do Brasileirão uma vez. 
Em 1977 o Grêmio renasce. Tendo nomes como Oberdan Vilain, Ancheta, um dos melhores zagueiros da Copa de 70, Tarciso, Tadeu Ricci, Iúra, o então jovem Éder Aleixo e o histórico centro-avante André Catimba, todos estes comandados na casa-mata por ninguém menos que Telê Santana. Foi campeão estadual nesse ano e quebrou sequência de títulos do Inter, a época octa campeão estadual, além de ficar a frente do rival no campeonato nacional. Se nota esse ano como um ponto fora da curva. Até o fim da década de 70 o Inter volta a reinar, sendo inclusive campeão brasileiro invicto em 1979, no ano seguinte também sendo vice campeão da América.
No ano de 1980, a ampliação do Olímpico é concluída, com o mesmo virando Olímpico Monumental. E novamente, os resultados não tardam a vir. No ano seguinte, o Grêmio é campeão brasileiro em cima do São Paulo em pleno Morumbi, com gol de Baltazar. Dois anos depois o Grêmio é campeão da América e do mundo. A década de 80 foi marcada por domínio gremista em relação ao Internacional, apesar do rival constantemente montar bons times, com jogadores como Ruben Páz, Taffarel, Luís Carlos Winck e o uruguaio Aguirregaray. O auge desses bons times é visto no fim da década, quando o Inter foi duas vezes seguidas vice-campeão nacional, no polêmico campeonato de 1987 e no de 1988. Também não pode ser deixado de citar o feito histórico do Brasil de Pelotas em 1985, ano em que ficou em terceiro colocado no campeonato nacional, só ficando atrás de Coritiba e Bangu.
Já na década de 90, apesar do começo ruim para os tricolores, houve um domínio gremista em títulos e grandes jogadores, esse domínio não se mostrou tão evidente no campeonato brasileiro, em que apesar do Grêmio ser campeão (no ano de 1996), ficou como melhor colocado 5 vezes e o Inter como melhor também 5 vezes. Os grandes anos do Internacional sendo 1992, em que ganhou a Copa do Brasil e 1997, em que foi terceiro colocado no campeonato brasileiro, num time contando Fernando, Christian, Fabiano Cachaça, todos comandados pelo então desconhecido Celso Roth.
No começo dos anos 2000, o Grêmio, ajudado financeiramente pela ISL, forma um grande time e domina o cenário regional, essa superioridade traduzida em 3 vezes seguidas melhores que o rival. Porém, quando a ISL vai a falência, o Grêmio entra em crise financeira forte e é até rebaixado, tudo isso contribuindo para uma época de mais sucesso do colorado, com o Grêmio 4 anos seguidos não sendo o melhor time. O Internacional, então começando a se reestruturar, sob a presidência de Fernando Carvalho, começa a montar um de seus maiores times da história, apesar de em 2004, ano muito estranho para o futebol, o Juventude ter sido o melhor gaúcho. 
Já os anos seguintes, apesar do grande sucesso internacional do colorado, esse sucesso não é conseguido nacionalmente, com o Grêmio mostrando certa regularidade nas cabeças e se revezando com o Internacional. Analisando os dados, temos: 28 vezes o Grêmio como melhor colocado, 27 vezes o Internacional, uma vez o Brasil de Pelotas e uma vez o Juventude. É possível notar uma forte polarização da dupla Grenal na história do futebol gaúcho. De sequências, a maior foi a do Inter de 1968 a 1976, com 9 campeonatos. Logo após, do Grêmio, de 1963 a 1967. O maior período longe do topo para o Grêmio foi justamente de 1968 a 1976, campeonatos. Do Inter foi de 1981 a 1986, com 6 campeonatos.

sábado, 1 de novembro de 2014

Sucesso em pênaltis e seus fatores influenciadores

      Nem todos pênaltis batidos entram. Nem todos vão para fora. Nem todos são defendidos pelo goleiro. Muitos atribuem a chance do pênalti ser acertado ao preparo físico, outros à sorte, enquanto outros defendem a característica intrínseca à pessoa. Porém, há vários outros fatores que podem ser considerados.
      Vamos ao primeiro outro fator considerado: o formato do torneio. Como a amostragem é a diversificada (Séries A e B do Brasileirão 2013 e Copa do Brasil 2013), foram utilizados dois critérios: mata-mata (que é o formato da Copa do Brasil) e pontos corridos (que é o formato das séries A e B do Brasileirão). Em torneios de mata-mata, são dois jogos que definem a classificação do time, portanto cada gol tem importância maior, portanto o nervosismo é maior, a pressão é maior. Seria este um fator que realmente influencia? Veremos a seguir. No entanto, mesmo dentro dos torneios de mata-mata, existem dois tipos diferentes: o pênalti batido em tempo normal e o pênalti batido em disputas de pênaltis,que são situações diferentes e por isso devem ser diferenciadas. Vamos começar com essa estatística:
      Na Copa do Brasil de 2013 foram ao total 7 disputas de cobranças de pênaltis:
Fortaleza x Luziânia, na primeira fase
Arapongas x São Caetano, na primeira fase
Campinense x Sampaio Correa, na primeira fase
Guarani x Confiança, na primeira fase
ASA de Arapiraca x Ceará, na segunda fase
Figueirense x Botafogo, na terceira fase
Grêmio x Corinthians, nas quartas de final
      Após a contagem dos pênaltis anotados e processamentos dos dados temos os seguintes resultados:

Números quanto ao acerto de pênaltis e formato do campeonato

      Durante as séries de cobrança de pênaltis houveram 47 acertos de 72 tentativas (65,27% de acerto), 29 acertos de 40 nas outras cobranças em jogos de mata-mata (72,50% de acerto) e quantos aos pontos corridos, 133 convertidos de 164 tentado, um índice de acerto de 81,09%. Como podemos ver, indo de pontos corridos até às disputas por pênalti há uma tendência cada vez menor de acertar o gol, portanto podemos sim concluir que quanto mais "decisivo" for o jogo menor é a chance do jogador acertar a cobrança.
       O primeiro fator observado foi o formato do torneio pelo qual o time está jogando, pois este formato pode mudar completamente a classificação do campeonato com um mísero gol. A conclusão que foi tomada a partir dos últimos resultados é que a pressão psicológica influencia. Porém esta pressão pode vir de outras maneiras, sendo uma delas a agora considerada: a situação do time na hora da cobrança;
      Convenhamos, existe muito mais pressão para bater um pênalti num jogo que você está perdendo ou empatando para um em que você está goleando e o gol pouco vai influenciar, certo? Porém, até que ponto esta pressão realmente influi, realmente faz diferença? Essa postagem se dedica a explicar isto.
      A metodologia utilizada é a seguinte: é considerado como está o placar para o time BATEDOR do pênalti na hora do mesmo. Não importa o resultado final, nem o que veio em decorrência do pênalti, mas sim o resultado na hora dele ser marcado.
      Existem três situação possíveis no futebol: perder, empatar ou ganhar. Nada mais, portanto são as três únicas opções possíveis. Por mais que na prática uma vitória de 1x0 seja muito diferente de uma de 2x0, a mesma regra vale para a a derrota, o que acaba balanceando o fato do fator pressão influenciar de maneira diferente a cabeça do jogador.
      Quanto a disputas por pênaltis: nela, o jogo é zerado, passa a ser 0x0, portanto a situação da primeira cobrança é sempre empate. Caso o primeiro cobrador converta a cobrança, o placar passa a ser de 1x0 para o time que bateu primeiro, portanto, consta como derrota para o segundo batedor.
Os resultados resumidos se encontram aqui:

Números quanto ao acerto de pênaltis e situação momentânea da equipe - números totais
     Como notamos, é muito maior a tranquilidade, facilidade e índice de acerto do jogador que bate o pênalti sabendo que está perdendo ou empatando. Se destaca neste sentido a baixa eficiência dos cobradores de times que estão empatando, talvez isto sendo explicado pelo falto do empate muitas vezes significar indecisão da partida. Como certas vezes a derrota é "aceita" pelo time batedor - seja ela por placar elástico, má exibição, falta de confiança, etc. - o nível de pressão psicológica que o jogador exerce sobre si mesmo é menor que numa situação de empate, assim sendo uma possível explicação da disparidade nos números. Esta imagem acima não representa somente os pênalti marcados pelo juiz, mas também os de séries de pênaltis. A tabela-resumo dos pênalti marcados pela arbitragem é a seguinte:

Números quanto ao acerto de pênaltis e situação momentânea da equipe - números em tempo normal

      Não se vê grande diferença na comparação entre o quadro de comparação geral e só de tempo normal, só se notando uma leve diminuição na diferença entre batedores em situação momentânea de derrota e em situação de empate, além de mostrar o aumento da eficiência de batedores de times que estão vencendo. Também de chega à conclusão que o pênalti é estatisticamente mais provável de ser marcado enquanto os times estão empatando, com 48,03% dos pênaltis marcados nesse panorama, enquanto 27,45% são marcados para o time quando ele está perdendo e os restantes 24,50% para quando o time estiver ganhando. E a de pênaltis apenas em disputados é esta:

Número quanto ao acerto de pênaltis e situação momentânea da equipe - números em disputas de pênaltis

      Quanto a tabela exclusiva de disputas de pênaltis. percebemos que ainda sim há a maior chance de acertar o pênalti quando estiver perdendo em relação a quando estiver empatando, ainda que neste universo seja maior. Salta aos olhos a baixíssima eficiência dos batedores em situação momentânea de vitória, enquanto nas outras comparações esta é maior que a chance de acerto em outras situações. Esse valor baixo pode ser explicado devido a apenas terem sido feitas 8 cobranças, sendo a a amostra pequena demais, a qual pode causar distorções do resultado final.
      Dos outros fatores que podem ou não influenciar na sua chance de erro, este é o mais polêmico: a questão da camisa. É comum para pessoas que acompanham futebol com maior frequência ouvir o termo a camisa pesa, só chegou onde chegou por causa da força da camisa (muito ouvi isso ao se referir ao Peñarol que fez a final da Libertadores 2011 com o Santos e com o Boca Juniors, que fez a final do mesmo torneio com o Corinthians em 2012). A expressão "jogador de time pequeno" também é comum para se referir a jogadores que não rendem quanto o esperado em times maiores porém vão bem em menores. Seria a mesma coisa para o jogador bater um pênalti vestindo a camisa do Flamengo e tudo que ela representa e bater um pênalti com a camisa de um time geralmente denominado como menor, por exemplo o São Caetano? E o contrário, também vale? O nível de dificuldade em bater um pênalti contra a camisa #1 do Grêmio que teve Manga, Leão, Mazaropi, Danrlei é o mesmo que bater um pênalti contra o River-PI?
     Para pesquisar a real influência disso, é preciso definir "quem tem mais" e "quem tem menos" camisa. É quase consenso que os doze maiores e mais vitoriosos clubes do país são: Grêmio, Internacional, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG e Cruzeiro. São comumente no Brasil chamados os times grandes, gigantes ou até G12, esta última sendo a nomenclatura que usarei. Como é difícil fazer uma lista de clubes do país por ordem de grandeza, os fatores definidos para análise foram: se o time batedor é do G12 e se o time que vai tentar defender o pênalti também é. A tabela final com os números ficou assim:

Números quanto ao acerto de pênaltis baseado no time que joga e que enfrenta

      Não se vê grande diferença na comparação entre o quadro de comparação geral e só de tempo normal, só se notando uma leve diminuição na diferença entre batedores em situação momentânea de derrota e em situação de empate, além de mostrar o aumento da eficiência de batedores de times que estão vencendo. Também de chega à conclusão que o pênalti é estatisticamente mais provável de ser marcado enquanto os times estão empatando, com 48,03% dos pênaltis marcados nesse panorama, enquanto 27,45% são marcados para o time quando ele está perdendo e os restantes 24,50% para quando o time estiver ganhando. E a de pênaltis apenas em disputados é esta:

Números quanto ao acerto de pênaltis baseado no fator casa - disputas por pênaltis 

Aí se nota um fenômeno interessante: apesar da pressão da torcida alheia, bater pênalti fora de casa é estatisticamente melhor. A tabela a seguir é apenas sobre os pênaltis cometidos em tempo normal - até para ajudar a ter ideia de quantos pênaltis são marcados para o time da casa e quantos contra.
Números quanto ao acerto de pênaltis baseado no fator casa - pênaltis em tempo normal

        Batedores jogando fora de casa ainda sim batem pênalti melhor que jogadores batendo em casa, com apoio da torcida, por incrível que pareça. Porém, neste universo de comparação nota-se que a diferença do índice de acertos é bem menor que nas disputais de penalidades. Também é interessante ressaltar que 65,68% dos pênaltis marcados foram para o time da casa - 91% a mais que para times de fora, número que pode ser explicado tanto pelos juízes caseiros como pelos times jogando em casa geralmente atacarem mais. A tabela final, composta dos dois universos, fica com os seguintes resultados:

Números quanto ao acerto de pênaltis baseado no fator casa - números totais

Devido ao fato da segunda amostragem (os pênaltis em tempo normal) ser um tanto maior que a primeira (só disputas de pênaltis), por mais que na primeira amostragem a diferenciação do índice de acerto entre os dois modelas seja de incríveis 12,23 p.p, num termo geral essa diferença cai para muito menores 1,85% de diferença. No entanto, estatisticamente falando é mais fácil converter um pênalti fora de casa do que em casa.
          Um dos grandes mitos do futebol brasileiro é que canhotos pênalti pior que destros. Sempre ouvi isto, ainda ouço. Em conversa com o jornalista Francisco Nepucemo, do site Futebol80 (outro EXCELENTE site, recomendo muito), ele também disse que a frase é bem antiga, disto concluí que é um pensamento bem enraizado no imaginário popular, inclusive na minha cabeça, sempre pensei nisto como verdade também, até resolver fazer a conta e ver até que ponto era verdadeiro isto. Já foi feita nesse blog uma postagem sobre o assunto, porém esta contém dados corrigidos em relação a versão anterior. Segue o resultado:

Números quanto ao acerto de pênaltis baseado no fator pé do batedor

         Os números desmentem o mito: ao contrário da teoria geral, canhotos têm aproveitamento maior que destros em relação a pênaltis. Como pode ser visto na postagem anterior (Canhotos e Pênaltis), esta superioridade se dá tanto no Campeonato Brasileiro da Série A, como da Série B e como da Copa do Brasil. Como estatística final: foram marcados, nos campeonatos usados como amostragem, 276 pênaltis. 209 foram acertados, isso dá uma taxa de acerto de 75,72%. Em termos redondos, a cada 4 pênaltis batidos, 3 são convertidos e 1 é desperdiçado.

         Alguma sugestão? Dúvida? Reclamação? Algum número que interpretei errado, algum dado que utilizei errado? Favor avisar na caixa de mensagens. Quem quiser a lista de pênaltis batidos e suas circunstâncias também só deixar o email ali que mando arquivo. Abraços.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Curiosidades inúteis

       Sobre o André: AQUELE (não o goleiro), atacante, do Santos, Vasco e hoje Galo. Era da base do Cabofriense em 2007 e 2008 e foi pro Santos em 2009. No mesmo ano, estreou pelo Santos na décima-quarta rodada do Paulistão, contra o Mogi-Mirim, entrou no finalzinho do jogo. No meio do Brasileirão começou a entrar em alguns jogos, até que foi titular e marcou na vitória de 2x0 sobre o Flu, jogo em que o Ganso também marcou. Ficou mais uns jogos no banco, daí foi titular de novo, contra o São Paulo, na Vila. Fez um gol logo no começo e o jogo acabou dando 4x3 pro São Paulo, o Rogério até foi expulso de tão LOKO que foi o jogo. Na mesma temporada, o André não fez mais nada de destaque.
        Enfim, 2010: o Santos, que tinha Neymareganso, Robinho, Wesley, André e cia ltda. deu XOU no Paulistão, o André jogou pra caralho e fez 13 gols nele, continuou bem na temporada, fazendo 8 gols na Copa do Brasil e 5 no Brasileirão. Ao fim da Copa do Brasil, foi vendido pro Dinamo de Kiev da Ucrânia. Não foi muito aproveitado lá daí em fevereiro de 2011 foi emprestado pro Bordeaux, da França. Também não rendeu. Tava numa fase muito ruim, o último gol tinha sido pelo Santos, em 06/06/2010, contra o Vasco. Eis que em julho de 2011, o Galo decide tentar reabilitar ele. Até aí nada de fora do comum ou curioso né? Enfim, agora o ESTRANHO: reestreia no futebol brasileiro. Entra no meio do jogo contra o Fluminense (prestem atenção nos times) e faz gol. Terceiro jogo, marca contra o Grêmio. Quatro jogos depois, faz gol contra o Botafogo (PRESTEM ATENÇÃO NOS TIMES).
       Passou por outra fase ruim (na verdade era uma uva e só fazia gol porque jogava com aquele Santos fantástico, FALO MESMO), ficando 8 jogos sem marcar, pra ser exato. Depois de pouco mais de 8 horas sem marcar um mísero golzinho, desencanta! Contra o....FLUMINENSE. Poxa, coincidência, contra o mesmo time. Beleza. Dois jogos depois, marca contra o mesmo....GRÊMIO. "Poxa, duas vezes, que engraçado". Ok. Penúltima rodada do campeonato, o Galo com o Dorival já começa a respirar um pouco mais. O André resolve fazer mais dois gols. O Santos goleia CRUELMENTE, por 4x0 o....BOTAFOGO.
        No próximo Campeonato Mineiro já marcou no primeiro jogo, em 29 de janeiro. OUCEJA: do período entre 07/06/2010 e 28/01/2012, dos quais constam 600 dias, que somam 1 ano, 7 meses e 21 dias, nos quais o André jogou 42 jogos, somou DOIS MIL E NOVENTA E SEIS MINUTOS, QUASE 35 HORAS, ele marcou 7 gols. NOS MESMOS TIMES. E eu achando que o Dagoberto tinha raiva do Grêmio, isso aí é fichinha perto da RAGE do André contra Flu, Grêmio e Bota nesse período.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Canhotos e pênaltis

         "Canhoto não sabe bater pênalti" é uma das maiores verdades-mitos do futebol, sempre ouvi desde pequeno e sempre vi muita gente reproduzir esse pensamento. Em conversa com o jornalista Francisco Nepucemo, do site Futebol80.com.br (outro EXCELENTE site), ele também disse que a frase é bem antiga, disto concluí que é um pensamento bem enraizado no imaginário popular, inclusive na minha cabeça, sempre pensei nisto como verdade também. Então, comecei a pensar: é verdade mesmo? Como é uma coisa completamente mensurável, resolvi pesquisar (nessa não tem a desculpa do ócio, eu tava trabalhando na época). A amostra escolhida inicialmente foi a Copa do Mundo, por ser um torneio de alto nível técnico e visibilidade. Porém, por mais incrível que pareça, os registros de Copas mais antigas são muito ESCASSOS. Nem em toda fichas técnicas é apontado quando pênalti são perdidos em tempo normal. 
        Por exemplo: Copa de 1930. Primeiro jogo da seleção brasileira, segunda, 14/07. A Iugoslávia, futura quarta colocada, abre 2x0 para depois descontarmos  com Preguinho, um dos maiores multiatletas da história deste lindo rincão. Outro jogador a se destacar que jogou nesta partida é Araken, autor de 177 em 193 jogos com a camisa santista e autor do histórico milésimo gol da história do alvinegro praiana Quinta-feira: Iugoslávia e Bolívia. A Iugoslávia goleia impiedosamente por 4x0 e se classifica. O último jogo é Brasil x Bolívia, no domingo, valendo menos que um pastel de vento. O Brasil, com Carvalho Leite, um dos maiores jogadores brasileiros da década de 30, que viria a ser penta campeão carioca e tri artilheiro do mesmo campeonato, goleia a Bolívia por 4x0. Neste jogo o goleiro brasileiro Velloso, ídolo do Fluminense, defendeu um pênalti, um fato até aquela data inédito na história da competição. 
         Esta informação do erro de pênalti da Bolívia consta em muitos poucos sítios e fichas de jogo, o que dificulta o uso de Copas do Mundo como amostra. Então, com a ajuda do já citado Chico Nepucemo, defini a amostra como as Séries A e B do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil de 2013, esta última escolhida especialmente pelo fato de poderem haver possibilidades de cobranças de pênaltis. Bom, vamos aos números. O critério escolhido foi o pé que o jogador usou para bater o pênalti. Se ele utilizou o pé trocado e isso contaminou a amostra eu não tenho nada a ver com isso. Quanto a série A, o resultado foi o seguinte:


         Analisando número por número, vamos lá: houveram 17 pênaltis batidos por canhotos. 15 foram acertados e apenas 2 foram errados, totalizando um acerto de 88,23%.
Quanto aos destros: 62 pênaltis batidos, 48 acertados e 14 errados, taxa de acerto de 77,41%. Fazendo uma média ponderada, temos um índice de acerto de 79,74%. Gostaria aqui de destacar foram no total 79 pênaltis, dos quais 17 foram de canhotos (ou seja, 21,51%) e 62 de destros (78,48%). Guardem esses números. Agora vamos aos números da série B:


          Não precisa limpar o óculos, você não tá vendo errado. Sim, foram apenas 3 pênaltis batidos com a perna esquerda durante os 380 jogos da série B. Te juro, sério, mesmo. Foram apenas 3 pênaltis cobrados, e 3 acertados, portando a margem de acerto foi de.........100%!!!!!!! Já em relação aos destros: foram batidos 83 penalidades máximas, sendo 66 convertidas em gol e 17 não. Taxa de acerto de 79,51%. A taxa de acerto geral foi 80,23%, pouco maior que da Série A. O que chama é atenção é que a porcentagem de destros foi de 96,51%. OUCEJA: um batedor canhoto para cada 27,66 batedores destros. Realmente não sei o que explica isso. Enfim, agora, em relação a venerada Copa do Brasil. Nesta houve uma diferença SIGNIFICATIVA em relação às outras competições. Vejamos: 


          Quanto aos canhotos (27,65% dos batedores), 26 cobranças das quais 6 foram desperdiçadas, totalizando 76,92% de acerto, taxa baixa para canhotos usando o referencial das Séries A e B, porém não é ruim né? Porém os destros.....
68 foram batidos, dois quais VINTE E SETE (27) não entraram. Muito né? Índice de acerto de apenas 60,29%. Em termos redondos, na Copa do Brasil de 2013, para cada 3 pênaltis acertados com destros 2 foram errados. Temos uma média de acertos de incríveis........64,89%. Diferença de 15 pontos percentuais para a Série B, aproximadamente. Penso que essa diferença enorme se dá ao fator psicológico de pressão que é maior em torneios de mata-mata. Inclusive parte desses pênaltis considerados foram em séries de cobranças de pênaltis ocorridas após empates em todos os critérios de desempate. Fazendo um RESUMÃO:


          Sendo bem objetivo: canhotos acertam, EM MÉDIA, 82,60% dos pênaltis batidos. Já destros acertam em média "apenas" 72,76%. Fazendo uma média ponderada, temos que o acerto de pênaltis nos 3 maiores torneios do Brasil em 2013 foi de 74,51%. Em termos aproximados, foram acertados 3 de cada 4 cobranças. Conclusão: se o seu time colocar um canhoto para bater a penalidade máxima, não se desespere, FIQUE FELIZ. A não ser que ele seja o Palermo risos. Qualquer sugestão, dúvida, correção e etc., estamos aí. Quem quiser a lista dos pênaltis com jogador, adversário, pé escolhido, rodada e etc., favor se manifestar na caixa de email do ghpedroso@gmail.com. Abraços