sábado, 9 de maio de 2015

História das Eliminatórias - Copa de 1938


Este é o segundo texto sobre as eliminatórias das Copas do Mundo já disputadas. O primeiro, que pode ser acessando clicando aqui, é sobre a Copa de 1934 e é recomendado que seja lido afim de melhor entender o torneio, seu contexto histórico e resultados anteriores.
Após a Copa de 1934 ser um sucesso, surgem muitos interessados para a Copa de 1938. Porém, haveria algo que faria muitos times desistirem: a Copa foi criada com o objetivo de a sede ser revezada entre a América do Sul e da Europa, ainda não que oficialmente, mas num acordo de cavalheiros. Após a edição de 1930 ser no Uruguai e a de 1934 ser na Itália, era parte do acordo voltar à América do Sul. No entanto, Jules Rimet, fundador da Copa, convence a FIFA a sediar o evento no seu país natal, a França, gerando a ira de muitos países americanos que em protesto desistem de jogar, como Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Uruguai, EUA e Guiana Holandesa, então colônia da Holanda, que depois de independente viria se tornar o Suriname.
O primeiro grupo era da Europa e continha 4 países: a Alemanha, então governada pelos nazis (fato que iria mudar a história da competição depois), a Suécia, a Estônia e a Finlândia. Todos os times jogariam entre si uma vez cada e os dois melhores passavam de fase. A Suécia começa com duas goleadas em casa: 4x0 na Finlândia e 7x2 na Estônia. Foi a vez da Finlândia jogar em casa: duas derrotas, por 2x0 para a Alemanha e 1x0 para a Estônia. Com isto, a Finlândia já estava eliminada. Eram três times disputando duas vagas. Alemanha e Estônia se enfrentam em Königsberg, que hoje é Kaliningrado e faz parte de um enclave russo entre a Polônia e a Lituânia. Os alemães goleiam por 4x1 e temos os dois classificados: Alemanha e Suécia. Disputam o jogo valendo a liderança do grupo, conquistada pelos alemães após um 5x0.
Já no segundo grupo foram dois jogaços: Estado Livre da Irlanda e Noruega definiriam, em ida e volta, um vencedor. Em Oslo, Kvammen abre o placar, Geoghegan e Dunne viram a partida para depois Kvammen novamente empatar e Martinsen marcar o gol da virada norueguesa. Em Dublin, na volta, Dunne abre o placar para a Noruega fazer 3x1 com dois gols de Kvammen. Porém a Irlanda consegue um empate heróico aos 43 do segundo tempo, botando fogo no jogo, mas não passou de um 3x3, confirmando a vaga para os escandinavos.
No próximo grupo temos o mesmo formato e regras, porém se enfrentam Polônia e Iugoslávia. Massacre polonês por 4x0 em Varsóvia contra uma derrota pelo placar mínimo em Belgrado, dando à Polônia de Wilimovski a vaga.
Quarto grupo, temos uma situação curiosa: devem se enfrentar Egito e Romênia, também ida e volta. O jogo de ida seria em dezembro de 1937, que segundo a tradição muçulmana, é o mês do Ramadã, no qual os islâmicos, religião maioritária no Egito, fazem uma espécie de jejum, o que enfraqueceria muito os jogadores, tornando impossível um jogo a nível competitivo contra os romenos. Então os egípcios resolvem convidar o mais antigo clube austríaco para um amistoso: o First Vienna FC. A FIFA então decide punir os egípcios e os elimina da competição, dando a vaga para os romenos.
No quinto grupo o regulamento muda, são duas fases. Portugal e URSS se enfrentariam em ida e volta, sendo que o vencedor enfrentaria a Suíça valendo a vaga, num jogo único. Os soviéticos desistiram da vaga, então Portugal partiu direto para o jogo com os suíços. Perdeu por 2x1 com o gol de honra marcado pelo lendário Peyróteo, grande ídolo do clube português Sporting.
O próximo grupo, o sexto, tinha o mesmo regulamento. Grécia e Mandato Britânico da Palestina jogaram valendo a vaga na segunda fase, com duas vitórias helênicas. Os gregos jogaram então contra a Hungria em Budapeste. Foram trucidados por 11x1 com 5 gols de Zsengellér e a vaga ficou com os magiáres.
No sétimo grupo haviam apenas dois times e uma vaga. Búlgaros e tchecoslovacos se enfrentaram primeiro em Sofia, com empate por 1x1 com o gol búlgaro sendo marcado apenas em 44 do segundo tempo. Na volta, em Praga, massacre tchecoslovaco por 6x0 com 2 gols do craque Nejedly, que seria depois artilheiro da Copa.
Um clássico báltico no grupo 8: Letônia vence a Lituânia fora e em casa, com 9x3 no agregado e 5 gols de Kaneps. Porém o regulamento era igual ao do grupo 5 e 6. Os letões enfrentaram a Áustria em Viena e perderam de virada, dando a vaga os germânicos. No entanto, 5 meses depois, a Alemanha Nazi na sua política pan-germanista nacionalista anexa a Áustria, episódio chamado hoje de Anschluss em alemão. A Áustria tinha sido um dos melhores times da Copa de 1934 e contava com grandes jogadores. O grande craque austríaco Mathias Sindelar, no entanto, se recusa a jogar pela seleção alemã - agora ele era alemão - e pouco tempo depois tem uma morte misteriosa, que embora atribuída a envenenamento acidental por monóxido de carbono até hoje há quem defenda que ele foi morto pelo regime nazi.
O nono grupo também segue critérios geográficos e fica com os 3 times do Benelux - Bélgica, Holanda e Luxemburgo - mais a Dinamarca, que desiste de jogar. Todos contra todos apenas uma vez. Luxemburgo segue sendo o saco de pancadas e perde os dois jogos, com a Holanda - até então uma nanica no futebol - passa em primeiro colocado com a Bélgica levando a segunda vaga.
No décimo grupo, que contava com Brasil e Argentina, os brasileiros não precisaram jogar para passar de fase, visto a desistência argentina.
Já a vaga norte e centro-americana, foi uma confusão. Um dos grupos havia México e EUA, como o México desistiu, os EUA passaram para pegar o vencedor do grupo asiático. Porém, além da questão do acordo de cavalheiros, havia uma questão econômica. Os EUA esperavam financiar a viagem à Copa do Mundo com o dinheiro da renda de um jogo contra a Inglaterra, porém os ingleses se recusaram a jogar num domingo e com isso os EUA desistem. Porém, a então Guiana Holandesa, Cuba, Colômbia, El Salvador e Costa Rica ainda estão na disputa por uma vaga. A Guiana Holandesa, por não responder uma correspondência oficial, foi eliminada, sendo planejado um quadrangular com os times restantes. A Guiana Holandesa protesta e consegue sua vaga de volta, porém Colômbia e El Salvador desistem.
Sobram Guiana Holandesa, Cuba e Costa Rica. A Guiana Holandesa desiste também por motivos econômicos e pede para jogar contra o vencedor do grupo asiático, como a FIFA havia sugerido com os EUA, porém a FIFA não atende à solicitação. Depois, a Costa Rica desta vez desiste e só sobra Cuba. Lembra que no começo disse que a Argentina tinha desistido? Bem, eles des-desistiram e ficaram de enfrentar Cuba para decidir a vaga. Como os argentinos queriam uma vaga direta, novamente desistiram (confuso, não?) e Cuba se classificou sem nem jogar uma partida.
Para a vaga asiática também houve desistências. As Índias Orientais Holandesas (que depois viriam a ser independentes e formar a Indonésia) ficaram no grupo de Austrália, China, Nova Zelândia, Filipinas e Japão. Todos estes citados (menos Japão e Índias Orientais) desistiram, ficando marcado um jogo entre Japão e futura Indonésia em Saigon, no Vietnã (hoje chamada de Cidade de Ho Chi Mihn, líder socialista vietnamita e herói da Guerra de Independência contra os franceses e da Guerra do Vietña contra os americanos) porém o Japão também resolve desistir, pois está ocupado em guerra contra a China. As Índias Orientais são programadas para jogar com os EUA, como já explicado, porém com a desistência dos mesmos elas conseguem sua vaga direta na Copa.
Os classificados são: Áustria, Bélgica, Brasil, Cuba, Tchecoslováquia, Índias Orientais Holandesas, Alemanha, Hungria, Holanda, Noruega, Polônia, Romênia e Suíça, que se juntam a França e Itália, classificadas automaticamente por serem país sede e país campeão, respectivamente. Com a Anschluss, a Áustria é incorporada à Alemanha e a Copa fica, excepcionalmente, com apenas 15 participantes. 37 inscrições foram feitas.
Apenas uma foi rejeitada, da Espanha, por estar envolvida numa guerra civil. 9 times desistiram: Egito, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Guiana Holandesa, El Salvador, México, EUA e Japão. 4 times se classificaram sem jogar nenhuma partida: Romênia, Brasil, Cuba e Índias Orientais Holandeses. 21 times jogaram ao menos 1 partida. 22 partidas aconteceram, nelas acontecendo 96 gols. Uma média de 4,36 gols por jogo. Foi a primeira vez de Finlândia, Letônia e Noruega participarem de eliminatórias de Copas.

terça-feira, 5 de maio de 2015

História das Eliminatórias - Copa de 1934

Este é o começo de uma série sobre as eliminatórias para as Copas do Mundo, desde 1934, na primeira edição das eliminatórias até 2014, últimas que foram completadas.
Na Copa de 1930, todos os times foram convidados. portanto não houve nenhum sistema de eliminatórias. Como na época o futebol ainda não era profissionalizado mundo afora, muitos jogadores não podiam ficar fora o mês inteiro pois faltariam seus trabalhos, portanto houve muitos países americanos na disputa, havia a proximidade geográfica, não havia a necessidade de pegar um cruzeiro da Europa para a América do Sul - no caso o Uruguai. Muita gente não sabe, mas as eliminatórias não são um torneio anterior à Copa do Mundo. Elas são a Copa do Mundo, as eliminatórias fazem parte oficialmente da Copa. O que conhecemos como Copa do Mundo é a sua fase final.
O Mundo foi dividido em 12 grupos - primeiramente por fatores geográficos. O grupo 1 continha Suécia, Estônia e Lituânia. Apenas um passaria. Foi dado nele o primeiro pontapé da história para definir os participantes da fase Final da Copa. O local era o Estádio Olímpico de Estocolmo, na Suécia. O time da casa enfrentava a Estônia, então um país independente da URSS. Quem abriu o placar, aos 7 minutos do primeiro tempo, foi o capitão sueco Knut Kroon (ainda que hoje há quem afirme que o gol foi contra, do estoniano Evald Tipnder) que abriu o caminho para um massacre por 6x2 com dois gols de Ericsson. Após este, se seguiu no grupo o jogo Lituânia x Suécia, em Kaunas, no país báltico. A Suécia venceu por 2x0, selando a sua classificação. Como o jogo entre Estônia e Lituânia valia menos que um pastel de vento (não havia sistema de returno, portanto sendo impossível de alguma das equipes alcançar a Suécia em pontos) foi decidido que o jogo não aconteceria.
O grupo 2 tinha formato diferente. Continha apenas dois times: Portugal e Espanha. Porém havia uma diferença fundamental: era um sistema de ida e volta. Primeiro jogo em Madrid: Isidro Lángara dá show, marca cinco gols e a Espanha impõe incríveis 9x0 contra Portugal no antigo Estádio Chamartín. No jogo da volta, Portugal até sai na frente com Silva, mas Lángara - que era basco e jogava amistosos com a seleção basca pela Europa para reunir dinheiro para causa republicana (isto é, anti Franquista) na Guerra Civil Espanhola virou o jogo em apenas 13 minutos. Era definido o segundo classificado para a fase final da Copa.
O grupo 3 tinha o mesmo formato e regras que o grupo 2, porém os times eram Itália e Grécia. Os italianos, que depois seriam campeões desta Copa, goleiam impiedosamente a Grécia por 4x0 em Milão, com dois gols do lendário Giuseppe Meazza. A Grécia ficou tão atordoado pela derrota que decidiu não jogar o jogo de volta e deu a vaga aos italianos. Foi a primeira e até agora única vez em que o país sede teve que jogar eliminatórias.
Já o grupo 4 era diferente. Contava com dois países da Europa Central e um da Europa Oriental - Áustria, Hungria e Bulgária. Sistema de ida e volta, os dois melhores classificados passavam de fase. O primeiro jogo foi em Sofia, capital búlgara. Bulgária x Hungria. Os magiares goleiam os búlgaros por 4x1. A Bulgária jogou de novo: desta vez fora de casa contra a poderosa Áustria de Horvath e Sindelar. É massacrada por 6x1. Ainda tendo chance de se classificar, a Bulgária enfrentou a Hungria em Budapeste. Foi goleada por 4x1 e se retirou da competição. O confronto Áustria x Hungria, os dois que passaram de fase, ficou para outro dia. Coincidentemente, ele aconteceu na Copa de 34, nas quartas de final, com vitória austríaca, que rumaria ao quarto lugar na Copa.
Próximo grupo: grupo 5. Seguindo os critérios geográficos, foram definidos no grupo Polônia e Tchecoslováquia. Sistema de ida e volta, apenas um passava. No primeiro jogo, na Polônia, a anfitriã perde em casa e desiste de jogar a volta. A Tchecoslováquia iria rumo ao vice campeonato.
Sexto grupo: Iugoslávia. Romênia e Suíça. Só ida, dois melhores passam. A Iugoslávia empata em casa com a Suíça por 2x2 depois de estar vencendo por 2x0. Próximo jogo é em Berna, Suíça x Romênia. A Romênia abre 2x0 mas a Suíça novamente empata. Aí entra o primeiro asterisco, o primeiro tapetão da história das copas. A Romênia havia escalado um jogador irregular, e com isto a FIFA muda o placar para 2x0 para os suíços e os classifica. A batalha era em Bucareste, Romênia x Iugoslávia. Empate dava Iugoslávia, quem vencesse passava. 38 do primeiro tempo, Schwartz abre o placar para os romenos. Kragic deixa tudo igual aos 26 do segundo. Porém, aos 29 do segundo tempo, o austro-húngaro de nascimento Dobay marca o gol da classificação dos romenos.
Estado Livre da Irlanda (atual Irlanda), Bélgica e Holanda disputam, em turno único, duas vagas no grupo 7. A Irlanda estreia em casa contra os belgas. Apesar de show do irlandês Moore - marcou  todos os 4 gols irlandeses - os dois times empatam. A Irlanda então ruma a Amsterdã, onde a Holanda vence por 5x2 e encaminha a vaga. Os times que passam iriam ser definidos na Antuérpia. Um jogo que parecia morno e foi ao intervalo em 0x0 acaba num surpreendente 2x4, que classifica os holandeses, com duas vitórias, e os belgas, que ao empatar em pontos com a Irlanda, a superou em goal average, que consiste em dividir o número de gols pró pelo de gols contra.
O oitavo grupo tinha o mesmo formato e regras, porém os postulantes às vagas eram França, Alemanha e Luxemburgo. Ali começava o martírio luxemburguês: é até hoje o único país a disputar todas as eliminatórias e nunca se classificar. Eles estream tomando 9x1 da Alemanha e depois 6x1 da França. Como os dois já estavam classificados, não havia a necessidade de jogo entre França e Alemanha e o mesmo foi desmarcado. Os países europeus classificados portanto eram: Suécia, Espanha, Itália, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Suíça, Bélgica, Holanda, França e Alemanha. Agora passemos às eliminatórias sul americanas.
O primeiro grupo dos su lamericanos era o 9. Brasil e Peru. Se enfrentariam uma vez, quem levasse a melhor levaria a vaga. Porém o Peru desistiu. O décimo grupo era igual, porém com Chile e Argentina. Com a desistência do Chile, a Argentina levava a segunda vaga dos sul americanos.
Era a vez das eliminatórias da CONCACAF, que é a organização que rege o futebol das América do Norte e Central. A primeira eliminatória era Haiti x Cuba, três jogos em Porto Príncipe, no Haiti, quem fosse melhor passava de fase. Cuba venceu duas - por 3x1 e 6x0 - e empatou a outra, agora jogando fora de casa contra o México, que venceu as três partidas, passando desde um 3x2 a um 5x0. O México definiria o classificado da CONCACAF num jogo único contra os EUA em campo neutro, em Roma. Vitória americana com 4 gols e show de Aldo Donelli. Faltava um só time para fechar os 16 participantes. E essa disputa seria intercontinental.

Quem disputou a última vaga foi o africano Egito e o asiático....Mandato Britânico da Palestina. Apesar de não ser um país. ainda sim tinha seleção própria, composta por ingleses, árabes e judeus. O Egito vence as duas com facilidade, levando a vaga. A Turquia também fazia parte do grupo mas desistiu de jogar. Com as eliminatórias todas prontas, em 24 de maio de 1934 tá tudo definido, ficam classificados: EUA, Brasil, Argentina, Egito, Suécia, Espanha, Áustria, Holanda, Itália, Tchecoslováquia, Suíça, Romênia, Bélgica, Holanda, Alemanha e França. 32 inscrições foram feitas. Nenhuma foi rejeitada. 3 países desistiram: Chile, Peru e Turquia. 2 times se classificaram sem jogar: Argentina e Brasil. 27 times jogaram ao menos uma partida. Foram 141 gols em 27 jogos – 5,22 gols por jogo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Histórico da Chapecoense no Campeonato Catarinense

Um breve histórico sobre o desempenho da Chapecoense nos Catarinões. Se trata de um clube novo para os padrões brasileiros, tendo apenas 43 anos. No entanto, já tem sete títulos, sendo o quinto maior campeão estadual da história. O futebol catarinense é historicamente muito equilibrado, com 4 grandes forças, porém há vários times campeões, muitos inativos e muitos com títulos da década de 70 para trás. Descontando os títulos dos 4 grandes e da Chapecoense, desde 1972 só temos um campeão diferente, o Brusque em 1992. Título conquistado em cima do Avaí, sendo os dois rebaixados no campeonato do próximo ano. 

A tabela de participações é a seguinte:



Já a Chapecoense na sua história começou bem: apesar do campeonato ruim em 1976, quase sempre se manteve entre os 5 primeiros do campeonato na década de 70, tendo inclusive ganho um título em 1977. Após os anos 80 não serem muito bons, tem outra grande época nos anos 90. Ganha 1 título no glorioso 1996 e duas vezes é vice, só tendo ficado abaixo do quinto lugar em 1992. Entretanto, nem tudo são flores para o clube ao seguir. Em 2001 (e 2002) foi rebaixada para a bizarra primeira-divisão-e-meia, já tendo voltado a disputado a primeira divisão em 2002 (e 2003). Depois de uma grave crise financeira e de futebol no começo dos anos 2000, forma parceria com o Hotel Kindermann, de Caçador anos de 2003 e 2004. Em 2005 rompe a parceria, renasce e é pela terceira vez campeã catarinense apenas dois anos depois, em 2007. Passa a alternar anos bons e ruins: apenas um oitavo lugar em 2008, um vice em 2009 (com um derrota histórica por 6x1 para o Avaí - 3 gols do time da capital sendo feitos na prorrogação), em 2010 faz campanha péssima e é rebaixado, porém o Atlético Ibirama pede licença e com isso o time se escapa. E então recomeça a era vitoriosa: título em 2011, 2013 um bicampeonato em 2016 e 2017 e sempre boas colocações, sempre brigando lá em cima.  Um aproveitamento histórico de 53,53%, tendo como auge em questão de aproveitamento o vice de 1995 (71,01% de aproveitamento) e como pior ano o terrível 2006, no qual teve apenas 20% de aproveitamento - um ponto conquistado a cada 5 disputados. Na tabela, em amarelo se encontram as campanhas em que foi campeão e em vermelho as que foi "rebaixada".

 Também aproveito o post para divulgar o excelente blog/revista do amigo Yuri, você pode conferir aqui a mais recente edição da revista virtual que reúne histórias do futebol e um artigo sobre a eleição para presidente da FIFA, seus candidatos e suas propostas:  http://www.escrevendofutebol.com.br/2015/05/revista-escrevendo-futebol-3-edicao.html

sábado, 2 de maio de 2015

Histórico de Grenais em mata-mata

O Grenal se confunde com a história do RS. Realizado mais de 400 vezes ao longo dos anos, é o maior clássico do Sul do país e talvez o maior do país. Naturalmente, houve muitos grenais decisivos, principalmente para âmbito de competições estaduais e municipais. Mas ao contrário do senso comum, nem todo campeonato gaúcho é Grenal na final. Vale lembrar que muitas vezes, propositalmente, o Grenal era o último jogo do gauchão - porém como parte do calendário normal, já que o Campeonato Gaúcho não foi mata-mata por muito tempo. Sendo o último jogo, muitas vezes - porém algumas não - era o jogo que decidia o campeonato pois Grêmio e Inter estavam próximos em pontos. No entanto, estes jogos não são contados na seguinte lista, apesar de serem igualmente decisivos. São contados apenas jogos de mata-mata, muitas vezes sendo o jogo-extra, muito comum antigamente porém não muito hoje.
A dupla decidiu o campeonato em mata-mata em 1962, 1976, 1977, 1978, 1991, 1992, 1995, 1997, 1999, 2006 , 2010, 2011, 2014 e 2015. "Apenas" a décima quinta vez neste ano. Se destaca o grande número de Grenais em fases intermediárias da segunda metade da década de 70, marcado por regulamento muito estranhos - tendo como caso marcante o campeonato em que o Grêmio com a derrota se classificava e com a vitória não. A cor na coluna campeonato indica que clube passou de fase, enquanto no resultado indica o vencedor do jogo. Obviamente, o vermelho e branco significando triunfo colorado e o azul e preto triunfo gremista.


A história começo no longínquo ano de 1940, ainda que referente ao Citadino de Porto Alegre de 1939. Passa também pelo Torneio Início, realizado no RS nas décadas de 40 e 50, pelos campeonatos gaúchos, pelo Campeonato Brasileiro - o famoso Grenal do Século - além da Copa do Brasil, da Seletiva para Libertadores e até em torneios internacionais, na Copa Sul Americana. Sobre 1977, há a polêmica se realmente se tratava de uma final. O Grêmio, vencedor de dois turnos, foi para a fase final com dois pontos. O Inter, vencedor de um turno, com um ponto. Os times jogavam entre si até algum ficar com 4 pontos - o Grêmio precisando de uma vitória ou dois empates, o Inter precisando ganhar o primeiro jogo e não perder o segundo, ou empatar o primeiro e ganhar o segundo - levando o título.
Recentemente, com a adoção de formatos de estadual em dois turnos, são comuns enfrentamentos entre gremistas e colorados, seja no primeiro turno, no segundo ou na finalíssima. Fazendo as contas, Os times se enfrentaram 55 vezes. com 15 vitórias tricolores, 17 empates e 23 vitórias coloradas. No entanto, devido a regulamentos como gol fora, mais de um jogo, melhor campanha e etc, quem eliminou quem é uma conta diferente. Os tricolores eliminaram os colorados 12 vezes, enquanto os colorados eliminaram gremistas 24 vezes. O Grêmio já conseguiu eliminar o Inter duas vezes seguidas, em 1940 e 1949, enquanto o Inter conseguiu eliminar o Grêmio 4 vezes seguidas - entre 1989 e 1992. Feito que pode repetir se for consagrado campeão gaúcho na final de amanhã.
Contando apenas finais de campeonato, qualquer um dos pesquisados, os dois times se enfrentaram 28 vezes, com 10 vitórias gremistas, 8 empates e 10 vitórias colorados. Porém, devido aos regulamentos, o Grêmio foi 8 vezes campeão e o Inter 9 vezes. Isso sem contar o clássico de amanhã. E aí, você acha que o Inter aumenta a vantagem ou o Grêmio leva e chega mais perto do rival?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

História do Grêmio no Gauchão

Esta postagem é uma breve história do Grêmio no gauchão ao longo da sua história. Começa com uma informação importante: até a década de 60, o Gauchão era por regiões, e havia geralmente só um time de Porto Alegre disputando-o, o que explica a ausência tricolor em muitas edições, especialmente na década de 40. Outras ausências são explicadas por participações em ligas paralelas. A tabela histórica de participações é a seguinte:

Tabela de participações

          Em primeiro lugar, é feito uma lista das posições já conquistadas. Gostaria de lembrar o leitor que no começo dos anos 2000 e fim dos anos 1990 as fórmulas dos torneios costumavam fazer com que a dupla GreNal entrasse em fases mais avançadas do torneio, o que explica o baixo número de jogos e uma possível confronto de posição do time com relação a outras fontes. Contabilizamos: 36 primeiro lugares, 26 segundos lugares, 2 terceiros lugares, 3 quartos lugares, 3 quintos lugares, um sexto lugar, um nada honrado oitavo lugar e 24 não participações. São 1444 jogos, com 897 vitórias, 339 empates e 208 derrotas. 2709 gols pró e 1009 gols contra.. Um aproveitamento médio de 73,89%. Comparado com o rival Inter, o Grêmio jogou menos, ganhou menos, empatou mais, perdeu mais, marcou mais gols, tomou mais gols (ainda sim ficando com saldo melhor) e pontuou menos - no geral e proporcionalmente.
As piores participações não são difíceis de definir. A pior, em termos de aproveitamento, é a sua primeira. 199, entrou na final e perdeu de 5x1 - e acabou, só isso. 1 jogo, 1 derrota, 0% de aproveitamento. Já de campeonatos mais longos, há o tenebroso 2003. Entrou numa fase mais avançada não venceu - 2 empates e 4 derrotas, com apenas 11,11% de aproveitamento. Outra campanha muito ruim, mas com torneios mais longos ainda, foi 2013, em que o clube aproveitou só 51,85% dos pontos possíveis, ficando no modesto quinto lugar. Porém, olhando apenas para a posição, não houve ano pior que 2002, no qual o Grêmio ficou em oitavo - com um (baixo) aproveitamento de 44,44%.
Agora vamos falar de coisa boa: as grandes campanhas. 100% de aproveitamento só foi possível em torneios mais curtos - o mais longo deles sendo o de 1960, com 6 jogos - e o feito se repetiu 6 vezes. Depois destas, a melhor campanha foi em 1965. 22 jogos. 20 vitórias e 2 empates: incríveis 95,45% de aproveitamento - era o Grêmio da época dos 12 de 13, tempo em que ganhou 12 de 13 gauchões disputados, tendo como um dos destaques o já falecido Aírton Pavilhão. Agora vejamos alguns gols históricos:

Gol 1: Máximo, Grêmio 1x5 Brasil-PEL, 19/10/1919
Gol 50: ?, Grêmio 7x1 Riograndense, 20/12/1931
Gol 100: ?, Grêmio 3x1 Floriano, 15/01/1950
Gol 150: ?, Pelotas 2x2 Grêmio, 01/02/1961
Gol 200: ?, Grêmio 6x0 Riograndense, 12/10/1961
Gol 250: ?, Juventude 1x4 Grêmio, 10/12/1961 (?)
Gol 300: ?, Grêmio 3x1 Rio Grande, 10/05/1964
Gol 400: ?, Grêmio 3x1 Guarany de Bagé, 07/08/1966
Gol 500: Vieira, Grêmio 2x1 Guarany de Bagé, 08/10/1967
Gol 600: Flecha (?), Ypiranga 2x5 Grêmio, 12/04/1970
Gol 700: Flecha, Grêmio 1x0 Esportivo, 31/07/1971
Gol 750: Humberto Ramos, Grêmio 2x0 Gaúcho, 25/04/1973
Gol 800: Iúra, Grêmio 3x1 Inter-SM, 24/11/1974
Gol 900: Ancheta, Grêmio 2x0 Inter, 28/07/1976
Gol 1000: André Catimba,, Grêmio 3x0 Estrela, 03/09/1978
Gol 1100: Éder, Bagé 0x5 Grêmio, 06/05/1979
Gol 1200: Baltazar, Caxias 1x3 Grêmio, 01/10/1979
Gol 1250: Héber (?), Caxias 0x5 Grêmio, 12/07/1981
Gol 1300: Edmar, São Paulo 0x2 Grêmio, 07/08/1984
Gol 1400: Luis Carlos Martins (?), São Paulo 2x4 Grêmio, 16/08/1984
Gol 1500: Valdo, Grêmio 5x0 Bagé, 19/03/1986
Gol 1600: Lima, Pelotas 0x1 Grêmio, 07/05/1987
Gol 1700: Paulo Egídio, Grêmio 2x2 Passo Fundo, 23/04/1989
Gol 1750: Nílson, Grêmio 1x1 Ypiranga, 21/04/1990
Gol 1800: Caio, Grêmio 2x1 Inter, 22/09/1991
Gol 1900: Carlinhos, Aimoré 0x4 Grêmio, 26/03/1994
Gol 2000: Nildo, Grêmio 2x2 Juventude, 26/06/1995
Gol 2100: Dinho, Grêmio 5x0 Santa Cruz, 27/04/1997
Gol 2200: Ronaldinho Gaúcho (?), Santa Cruz 1x3 Grêmio, 13/05/2000
Gol 2250: Caio Ribeiro, Grêmio 3x3 Juventude, 15/02/2003
Gol 2300: Élton, Grêmio 1x1 XV de Novembro, 01/04/2005
Gol 2400: Pereira, Esportivo 1x2 Grêmio, 24/02/2008
Gol 2500: Borges (?), Canoas 1x5 Grêmio, 07/02/2010
Gol 2600: Kléber, Grêmio 5x0 Novo Hamburgo, 11/03/2012
Gol 2700: Giuliano, Grêmio 2x0 Lajeadense, 22/03/2015

Como os dados são raros, muitas das marcas não são certas. O marcante milésimo gol foi marcado pelo histórico André Catimba, autor do gol do título do Gauchão de 1977. Pode ser destacada a presença de vários jogadores importantes para a história do futebol brasileiro e até mundial, como Éder, Valdo, Ronaldinho e Ancheta.

Vitória 1: Grêmio 3x0 Uruguaiana, 18/11/1920
Vitória 50: Guarany de Bagé 0x5 Grêmio, 28/10/1961
Vitória 100: Grêmio 1x0 Juventude, 18/10/1964
Vitória 150: Gaúcho 0x2 Grêmio, 29/10/1967

Vitória 200: Grêmio 2x0 Gaúcho, 10/06/1970

Vitória 250: Grêmio 1x0 Caxias, 29/07/1972

Vitória 300: Grêmio 4x0 Ypiranga, 13/06/1977
Vitória 400: Brasil-PEL 0x2 Grêmio, 15/08/1979
Vitória 500: Grêmio 2x0 Aimoré, 10/10/1984

Vitória 600: Inter 1x3 Grêmio, 28/05/1989

Vitória 700: Guarani-VA 0x2 Grêmio, 02/03/1996
Vitória 750: Passo Fundo 0x2 Grêmio, 02/05/2000
Vitória 800: Caxias 1x3 Grêmio, 18/03/2007



Contra quem será a vitória 900? Faltam apenas 3!

Jogo 1: Grêmio 1x5 Brasil-PEL, 19/10/1919
Jogo 50: Grêmio 6x0 14 de Julho, 01/02/1960
Jogo 100: Grêmio 3x1 Floriano, 23/06/1963
Jogo 150: Rio Grande 0x1 Grêmio, 01/08/1965
Jogo 200: Farroupilha 1x1 Grêmio, 15/10/1967
Jogo 250: Flamengo 0x2 Grêmio, 04/05/1969
Jogo 300: 14 de Julho 1x2 Grêmio, 27/09/1970
Jogo 400: Inter de São Borja 1x1 Grêmio, 11/05/1975
Jogo 500: Juventude 0x0 Grêmio, 08/10/1978
Jogo 600: São Paulo 0x1 Grêmio, 12/10/1989
Jogo 700: Grêmio 1x0 Aimoré, 29/09/1983
Jogo 750: Inter 2x0 Grêmio, 25/11/1984
Jogo 800: Grêmio 0x1 Juventude, 23/04/1986
Jogo 900: Juventude 4x3 Grêmio, 16/04/1989
Jogo 1000: Pelotas 1x3 Grêmio, 06/12/1992
Jogo 1100: Grêmio 3x3 São Luiz, 19/07/1995
Jogo 1200: Santa Cruz 0x0 Grêmio, 29/03/2001
Jogo 1250: Grêmio 1x1 XV de Novembro, 01/04/2005
Jogo 1300: Grêmio 0x0 Caxias, 13/03/2008
Jogo 1400: Grêmio 2x0 Caxias, 23/03/2013

     Tendo apenas um Grenal em jogos de números redondos e perdendo o mesmo, vale a pena destacar a estréia ruim do Grêmio em gauchões, ainda que esta seja cheia de glórias. Alguma dica, sugestão, correção, crítica? Manda aí!