sexta-feira, 1 de maio de 2015

História do Inter no Gauchão

Esta postagem é uma breve história do Inter no gauchão ao longo da sua história. Começa com uma informação importante: até a década de 60, o Gauchão era por regiões, e havia geralmente só um time de Porto Alegre disputando-o, o que explica a ausência do colorado em muitas edições. Outras ausências são explicadas por participações em ligas paralelas. A tabela histórica de participações é a seguinte:

Tabela de participações

       Primeiro, fazendo um apanhado de posições, temos o seguinte: 43 primeiros lugares, 20 segundos lugares, 3 terceiros lugares, 3 quartos lugares, 1 sétimo lugar e 26 não participações. Um total de 1468 jogos, 921 vitórias, 357 empares e 190 derrotas. 2624 gols pró e 947 contra. 2432 pontos (lembrar que até 1994 a vitória valia dois pontos). Um aproveitamento médio de 74,91%.
Suas piores participações: em termos de aproveitamento, é o campeonato de 1936, no qual apenas teve 33,33% de aproveitamento, porém vale lembrar que o campeonato era muito curto e por isso os números devem ser isto com outros olhos. Em campeonatos mais longos, a campanha de 2000 vale a pena ser esquecida: 5 vitórias, 6 empates e 3 derrotas. Apenas 50% de aproveitamento, apesar do terceiro lugar. Mas ao focarmos somente em posição no campeonato, o verdadeiro ano para esquecido é 2007. Terminou no mísero sétimo lugar, sendo eliminado pelo Veranópolis e ficando inclusive com saldo negativo - coisa até hoje única por parte do colorado no Gauchão.
Agora, suas melhores campanhas: foram 11 anos em que houve 100% de aproveitamento, isto é, vencer todos os jogos. Quase todos são em campeonatos mais antigos, em que havia poucos jogos. Porém, em 1974 o Inter conseguiu o feito de ser campeão invicto ganhando todos seus 18 jogos. Chama a tenção o fato do time só ter tomado 2 gols durante a campanha.
Vejamos agora alguns dados de jogos, vitórias e gols de números redondos.

Jogo 1: Inter 4x1 Nacional, 28/12/1927
Jogo 50: Brasil-PEL 0x3 Inter, 11/12/1955
Jogo 100: Rio Grande 0x3 Inter, 23/06/1963
Jogo 150: Guarany de Bagé 0x0 Inter, 08/08/1965
Jogo 200: Inter 2x0 Riograndense, 29/10/1967
Jogo 250: N. Hamburgo 0x1 Inter, 18/05/1969
Jogo 300: Inter 1x0 Cruzeiro, 23/09/1970
Jogo 400: Gaúcho 0x1 Inter, 15/09/1974
Jogo 500: Inter 5x0 N. Hamburgo, 12/08/1978
Jogo 600: Inter 0x0 Bagé, 13/08/1980
Jogo 700: Inter 3x0 Juventude, 30/06/1983
Jogo 750: Inter 2x0 Bagé, 03/10/1984
Jogo 800: São Borja 3x0 Inter, 06/03/1986
Jogo 900: Inter 3x1 Pelotas, 05/06/1988
Jogo 1000: Inter 1x0 Lajeadense, 18/09/1991
Jogo 1100: Inter 1x1 Pelotas, 10/05/1995
Jogo 1200: Inter 2x0 XV de Nov., 02/04/2000
Jogo 1250: Inter 2x1 Grêmio, 04/04/2004
Jogo 1300: Inter 1x0 Juventude, 17/03/2007
Jogo 1400: Inter 7x0 Juventude, 17/03/2012

O histórico milésimo jogo do clube pelo gauchão foi no longínquo ano de 1991, ano no qual foi campeão.

Vitória 1: Inter 4x1 Nacional, 28/12/1927
Vitória 50: Inter 1x0 Cruzeiro, 30/07/1961
Vitória 100: Guarany de Bagé 1x4 Inter, 04/10/1964
Vitória 150: Inter 1x0 Brasil-PEL, 25/05/1968
Vitória 200: Esportivo 0x2 Inter, 09/09/1970
Vitória 250: Bagé 0x1 Inter, 11/03/1973
Vitória 300: Inter 2x0 Associação Caxias, 16/07/1975
Vitória 400: Inter 5x0 Farroupilha, 27/06/1979
Vitória 500: Grêmio 0x2 Inter, 23/09/1984
Vitória 600: Inter 2x1 Caxias, 21/05/1989
Vitória 700: Inter 1x0 São Luiz, 04/06/1995
Vitória 750: Inter 4x2 Esportivo, 22/04/2000
Vitória 800: São José 2x6 Inter, 26/03/2006
Vitória 900: Pelotas 0x1 Inter, 05/02/2014

Vale o destaque para completar 500 vitórias no Gauchão em cima do rival Grêmio - então campeão do mundo. Então, a lsita de gols históricos de números redondos.

Gol 1: (?), Inter 4x1 Nacional, 28/12/1927
Gol 150: Villalba, Inter 2x1 Grêmio Santanaense 31/10/1948
Gol 200: Alfeu (?), Inter 7x1 Juventude 06/06/1961
Gol 250: Alfeu, Inter 2x3 Grêmio 10/12/1961
Gol 300: Sapiranga (?), Inter 2x0 Guarany de Bagé, 04/08/1963

Gol 400: (?), Inter 2x1 Guarany de Bagé, 30/10/1966
Gol 500: Scala, Inter 3x0 Farroupilha 24/04/1969
Gol 600: Jangada, Santa Cruz 1x1 Inter 18/04/1971
Gol 700: Djair, Aimoré 0x4 Inter 28/04/1973
Gol 750: Escurinho, Inter 1x0 Associação Caxias 08/09/1974

Gol 800: Escurinho, Inter 4x0 Cachoeira 21/05/1975
Gol 900: Valdomiro, Inter 3x0 Esportivo 01/08/1976
Gol 1000: Falcão, Grêmio 2x2 Inter 10/09/1978
Gol 1100: Jair, Inter 1x0 Inter-SM 16/05/1979
Gol 1200: André Luís, Inter-SM 0x1 Inter 15/10/1980
Gol 1250: Cléo, Inter 4x0 Guarany de Bagé 13/11/1981

Gol 1300: Geraldão, São José 0x4 Inter 06/08/1982
Gol 1400: Jussiê, Grêmio 0x2 Inter 23/08/1984
Gol 1500: Sabará, Bagé 1x1 Inter 12/03/1986
Gol 1600: Amarildo, Inter 4x0 Santa Cruz 26/04/1987
Gol 1700: Nélson Bortolazzi (?), Inter 4x0 Glória 08/04/1990

Gol 1750: Cuca, Aimoré 1x2 Inter 31/10/1991
Gol 1800: Célio Lino, Caxias 1x1 Inter 22/11/1992
Gol 1900: Leandro Machado, Glória 1x2 Inter 29/11/1994

Gol 2000: Christian, Inter 3x0 Veranópolis 26/02/1997

Gol 2100: Márcio Goiano, Inter 2x0 XV de Novembro 02/04/2000

Gol 2200: Edinho, Juventude 1x2 Inter 20/03/2005
Gol 2250: Chiquinho, São José 2x6 Inter 26/03/2006
Gol 2300: Gil, Veranópolis 1x3 Inter 23/03/2008
Gol 2400: Giuliano, Inter 5x0 Juventude 27/01/2010
Gol 2500: Jajá, Inter 7x0 Juventude 17/03/2012
Gol 2600: Sasha, Inter 4x4 São José 04/02/2015

Nem todos os nomes foi possível afirmar com certeza, pois faltam dados. Fatos curiosos como o simbolismo do milésimo gol da história do time no torneio ser justamente marcado por um dos maiores ídolos contra o maior rival. Também é curioso que Giuliano, Edinho, Chrisian e Cuca também jogariam com a camisa tricolor, este último tendo uma passagem considerada muito boa pelo time azul, sendo campeão da Copa do Brasil.
Alguma dúvida, sugestão, crítica, correção? Pode comentar aí :)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Que seleções o Brasil já enfrentou?

    O Brasil é historicamente, uma das maiores senão o maior seleção de futebol da história, ser o maior campeão de Copas comprova isso. Este fato faz com que o Brasil fosse por muitas vezes a seleção mais visada do mundo - o time a bater, o exemplo de time. Também faz com que muitos times diferentes convidassem o mesmo para amistosos. Daí, sai a questão: quantas seleções o Brasil já enfrentou? Todas? Se não, faltam muitas? O levantamento foi feito com base na lista de jogos da seleção da RSSSF. Será destacado o último jogo entre as duas seleções, para termos ideias de a quanto tempo não se enfrentam, e elas serão separadas por confederação. Primeiro, as seleção da CONCACAF (que correspondem quase que às seleções da América do Sul):


     Por causa das eliminatórias, da Copa América e da rivalidade com o Uruguai e com a Argentina, esta é a confederação da qual é mais fácil completar todos os países. E como veremos, a única. Agora, quanto a CONCACAF, confederação que reune países da América Central, América do Norte, Suriname e Guiana.


     Pode ser notado que o Brasil jogou contra quase todos os países não insulares das Américas Central e do Norte - menos Belize. Contra países insulares, enfrentou Jamaica e Haiti. Como os países insulares historicamente são de pouco menos destaque no futebol que os insulares, foram pouco representados. Agora, vemos a lista de países da OFC - confederação de futebol da Oceania - enfrentados pelo Brasil.


     Ok, admito que forcei em chamar isso de lista, mas é só isso. A Austrália, grande força do futebol da oceania, joga pela AFC, a confederação da Ásia - cuja lista será vista a seguir.


Aqui vemos uma lista muito maior - até porque a Ásia é um continente com muitos países (apesar de faltarem muitos para o Brasil enfrentar). As grandes potências asiáticas - Japão, Coréia do Sul, Arábia Saudita - foram todas enfrentadas. Agora, quando a CAF - confederação das seleções africanas.


     Notamos mais times enfrentados ainda. As seleções africanas historicamente fortes - como Nigéria, Camarões. Costa do Marfim, África do Sul, Egito, Gana - já foram enfrentadas. Algumas com menos tradição, como Gabão e Zâmbia, também.



     Até por disputar o topo do futebol mundial com a América do Sul, a Europa tem várias seleções de nível médio para alto. Por isso, a lsita é gigante. Algumas destas seleções estão extintas - URSS, Alemanha Ocidental e Oriental, Tchecoslováquia e Iugoslávia. No entanto, mesmo excluindo estas, não obtemos todas as seleções europeias. Faltam: Luxemburgo, Monaco, Malta, San Marino, Vaticano (sim, existe uma espécie de seleção do Vaticano), Liechtenstein, Bielorrúsia, Moldávia, Chipre, Albânia, Montenegro, Kosovo, Cazaquistão e Macedônia. Dependendo do critério utilizado, podem ser consideradas mais seleções. Disto tudo, somando, contam-se 90 seleções. Existem pouco mais de 200, ou seja, com todas as seleções somadas, não enfrentamos nem metade. Chegará o dia que teremos enfrentado todas as seleções do mundo?

terça-feira, 3 de março de 2015

Jogadores soviéticos e suas origens

     A finada União Soviética era formada por um grande grupo de países hoje independentes, sendo eles: Rússia, Cazaquistão, Usbequistão, Turcomenistão, Tajiquistão, Quirguistão, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Moldávia, Bielorússia, Ucrânia, Letônia, Lituânia e Estônia. Enquanto as 3 últimas foram anexadas na Segunda Guerra Mundial, o resto se juntou durante a Revolução Russa, em 1917, e logo depois. Tinha mais de 22 milhões quilômetros quadrados, segundo um dos maiores países da história, só atrás do Império Russo em certa época, do Império Mongol sob Genghis Khan e do Império Britânico sob a época da Rainha Vitória. Após a Segunda Guerra Mundial se torna uma superpotência, disputando controle do globo com os EUA na chamada Guerra Fria.
    Após décadas de Guerra Fria, sua dissolução começou no fim da década de 80 e no começo da década de 90. O primeiro país a declarar e conseguir independência da URSS foi a Estônia, em agosto de 1991, seguida pelas outras repúblicas bálticas (Lituânia e Letônia). Nos próximos meses outros países também conseguiram independência, com a URSS acabando oficialmente no dia 31 de dezembro de 1991.
    Só houve interesse tardio pelo futebol na URSS, com a mesma só disputando eliminatórias para a Copa do Mundo em 1958 - conseguindo a classificação. Sua composição de origem era a seguinte:


     Como é facilmente percebido, era praticamente uma seleção russa, com apenas 2 jogadores de fora da mesma. Seus destaques eram o atacante Igor Netto (que também jogou de meia e defensor durante a carreira) e o lendário goleiro Yashin, talvez o maior da história do futebol. Reza a lenda que Yashin teria defendido 150 pênaltis na carreira. Na Copa, cai num grupo forte, com o Brasil de Pelé e Garrincha, a Inglaterra de Tom Finney, Billy Wright, Bobby Charlton e o futuro técnico da seleção inglesa, Bobby Robson (ainda jogador), além da Áustria, que não conseguiu manter um time do mesmo nível que em 1954.
      A URSS estreia com um amargo empate em 2x2 com a Inglaterra, após sair de uma vitória por 2x0. Enfrenta a Áustria e consegue uma vitória por 2x0, perdendo pelo mesmo placar para o Brasil. Empatada com a Inglaterra, vence a mesmo no play-off por 1x0. Nas quartas enfrenta a anfitriã Suécia de Gren, Liedholm, Simonsson e Skoglund. Perde por 2x0 com um gol de Simonsson no final e está eliminada da competição.
     Em 1962 consegue de novo a classificação, porém desta vez com um time mais equilibrado:


    É notada uma grande presença de ucranianos - que seria comum no resto dos anos de URSS - e uma quantia considerável de georgianos. Essas duas nacionalidades, junto com os russos, eram indiscutivelmente a base da seleção soviética ao longo das décadas. Os principais jogadores do time eram, além de Yashin e Igor Netto, o atacante Valentin Ivanov, que se tornaria um dos artilheiros da Copa.
     Já na disputa, fica no mesmo grupo que a Colômbia, o Uruguai de Pedro Rocha e Luis Cubilla a Iugoslávia do futuro artilheiro da copa Jerkovic. Vence a Iugoslávia na estreia por 2x0, para então um histórico e bizarro empate com a Colômbia por 4x4, em que a Colômbia marcou (o único) gol olímpico (isto é, diretamente de um escanteio) da história das Copas. O último jogo da fase de grupos foi uma viória sobre o Uruguai por 2x1, com gol de Ivanov aos 44 do segundo tempo. Vale frisar que a equipe soviética se classificaria mesmo com o empate. Nas quartas, enfrenta novamente o anfitrião - desta vez o Chile. O destaque do time sul-americano era Leonel Sanchéz, que também foi um dos artilheiros. O atacante marcou o primeiro gol da vitória chilena por 2x1, acabando a trajetória soviética no mundial.
     A próxima Copa, em 1966, foi a melhor da história da URSS. Conseguiu um honroso quarto lugar, com os jogadores das origens seguintes:


     Esta foi a mais equilibrada - quanto a origens - seleção soviética, com "apenas" 68,18% dos jogadores russos e ucranianos. Tendo em seu elenco ainda Yashin e Igor Chislenko, atacante de muito sucesso pelo Dinamo Moscou, começou caindo no grupo de Itália, que tinha em seu plantel grandes jogadores como a dupla de laterais Facchetti e Burgnich, além de Gianni Rivera e Sandro Mazzola (filho do Mazzola que era o cérebro do Torino da década de 40), o Chile, que além de Leonal Sánchez tinha um jovem zagueiro que depois partiria para o sucesso no futebol brasileiro, Don Elias Figueroa e a Coréia do Norte, uma azarona de quem não esperava-se nada. Estreia goleando a Coréia do Norte por 3x0, vence a Itália por 1x0 e o Chile por 2x1, com Porkujan desempatando aos 40 do segundo tempo. Nas quartas pega a Hungria de Albert e Tichy e consegue uma vitória por 2x1. Já nas semis, perde por 2x1 para a Alemanha Ocidental, com Beckenbauer marcando para os germânicos e Porkujan - que seria o marcador de 4 gols na Copa - marcando o gol de honra soviético. Empatava com Portugal por 1x1 na decisão de terceiro lugar, até Torres desempatar a partida para os lusos aos 44 do segundo tempo, dando assim o quarto lugar para os soviéticos.
     

     Formada somente de russos, ucranianos e georgianos, a seleção de Byshovets e que ainda contava com Yashin, em sua quarta Copa - porém desta vez no banco - conseguiu a segunda melhor classificação soviética na história das Copas, um quinto lugar. Caiu num grupo fácil, enfrentando o México, a seleção de El Salvador e da Bélgica - que contava com Van Himst. Começa empatando com o México - então anfitrião - por 0x0, para depois golear El Salvador por 4x1 e vencer a Bélgica por 2x0 - com Byshovets marcando dois gols em cada um desses jogos. Nas quartas teve o azar de enfrentar o forte Uruguai, que contava com Luis Cubilla, Pedro Rocha, o goleiro Corbo na reserva, o zagueiro Ancheta de titular, junto com o histórico e excelente goleiro Ladislao Mazurkiewicz.
     Em 1974 a URSS se classifica para o playoff da eliminatória da Copa. Enfrenataria o Chile, na época comandado politicamente pelo gal. Augusto Pinochet, ditador ideologicamente contrário a URSS. Devido ao confronto contra o Chile ser no Estádio Nacional de Santiago - onde haviam muitos presos políticos e morte de opositores - a URSS desistiu de enfrentá-los e assim cedeu sua vaga na Copa. Em 1978, vivendo uma crise no futebol, não consegue se classificar num grupo que continha Hungria e Grécia. Já em 1982, a classificação veio. A origem de seus jogadores era a seguinte:


      Nota se uma inversão: pela primeira vez, o número de jogadores ucranianos passa o de russos e passa a ser maioria. Com uma seleção completamente renovada em relação a sua última participação, contava com o goleiro Dasayev e com o atacante Blokhin - que talvez seja o melhor jogador de linha da história da URSS. Na Copa, caiu no grupo da Nova Zelândia, da Escócia de Souness, Dalglish, Robertson e Joe Jordan e o time que talvez seja o maior esquadrão da história do futebol: o Brasil de 1982, que tinha um meio campo com só craques como Falcão, Toninho Cerezo, Zico e Sócrates. O primeiro jogo é justamente contra o Brasil. Sai na frente com um gol de Bal, num frango de Walder Peres, em jogo que Sócrates e Éder virariam o placar para o Brasil. É seguido por uma vitória por 3x0 contra a fraca Nova Zelândia e um emocionante empate em 2x2 com a Escócia, com a URSS fazendo 2x1 aos 39 dos segundo tempo e a Escócia empatando com Souness aos 42. Com os resultados, a URSS se classifica para a segunda fase de grupos. Cai no mesmo grupo que a Bélgica de Pfaff, Ceulemans e Van der Elst além da fabulosa Polônia, que contava com Zmuda, Smolarek, Szarmach, Lato e Boniek. Tanto a URSS quanto a Polônia vencem a Bélgica, porém a Polônia vpor 3x0, com show e 3 gols de Boniek, enquanto a URSS vence pelo placar mínimo. Com isto, a URSS tinha que vencer a Polônia para ir à fase semifinal, no entanto empata sem gols e está eliminada.
      Em 1986 é semelhante quanto a origem quanto ao fato de ter mais jogadores ucranianos que russos:


     Aliás, a diferença entre o número de jogadores russos e ucranianos mais que dobra, havendo uma ucranização muito forte da seleção. Tendo no seu elenco Dasayev, Bal, Blokhin, Protasov e até Igor Belanov, que no mesmo ano seria escolhido melhor jogador da Europa, decepciona quanto a classificação. Cai num grupo relativamente fácil: Canadá, Hungria - que não era nem sombra do time de 54 e a excelente França de Platini. Goleia a Hungria por impiedosos 6x0, empata em 1x1 com a França e no último jogo vence o Canadá sem dificuldade, por 2x0, garantindo o primeiro lugar no grupo. Nas oitavas enfrenta a Bélgica que vinha reforçada com Scifo, sendo este um dos melhores jogos da história da Bélgica. Belanov abre o placar para a URSS no primeiro tempo. Aos 11 do segundo, Scifo empata. aos 25, Belanov faz 2x1. Aos 32, Ceulemans empata novamente. Com o empate, o jogo vai à prorrogação. Aos 12 do primeiro tempo da prorrogação, a Bélgica faz e se coloca na frente. Aos 5 dos segundo tempo, Claesen faz o quarto da Bélgica. Porém, um minuto depois, Belanov novamente marca e bota fogo no jogo, que acaba assim mesmo, 4x3 para os belgas e fim de papo.
     Na altura da Copa de 90, já se tinha ideia que seria a última jogada pela URSS, o país vinha perdendo a unidade e não havia estabilidade, os dias estavam contados. 


     A origem dos jogadores era parecida com a da Copa anterior, mas com menos ucranianos e mais pessoas de países menores, como Geórgia e Bielorússia. Na Copa caiu num grupo muito difícil. Camarões de Roger Milla, Romênia de Haghi e a então campeã do mundo Argentina com Maradona, Caniggia, Burruchaga, Ruggeri e mais outros grandes jogadores. Os soviéticos estrearam perdendo por 2x0 para a Romênia, depois novamente com o mesmo placar para a Argentina. Já eliminada, enfrenta Camarões, último jogo da URSS na história das Copas. Aplica sonoros 4x0, num amistoso de luxo, com Dobrovolski marcando o último gol da nação na história das Copas.
     Juntando todas as participações no torneio, temos a seguinte estrutura originária dos jogadores soviéticos:


     Russos e ucranianos dominam a lista, com mais de 80% dos convocados. Somando aí os georgianos, temos mais de 91%. O resto se divide em números muito parecidos, com destaques para 2 convocados alemães - e nenhum das muitas outras ex-república soviéticas.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Jogadores tchecoslovacos e suas origens

     Na mesma linha da postagem anterior, agora a origens dos jogadores tchecoslovacos em Copas do Mundo. Fundada em 1918, pela união do Reino da Boêmia e parte do finado Império Austro-Húngaro, a Tchecoslováquia engloabava territórios de vários países, entre eles Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia. Durante a Segunda Guerra Mundial foi anexada pela Alemanha e dividida em várias partes, que são: a Cárpato-Ucrânia (hoje território ucraniano), uma parte, conhecida como os Sudetos, onde havia muita população alemã, foi anexada pela Alemanha Nazista, na República Eslovaca (hoje parte da Eslováquia e Polônia), um Estado fantoche alemão comandado pelo Monsenhor Tiso e no protetorado da Boêmia e Morávia, que era comandado pela Alemanha.
     Após o fim da guerra e sua reunificação, uma pequena parte é ocupada pelo Exército Vermelho (URSS) e virada parte de República Socialista da Ucrânia, enquanto 3 anos depois, em 1948, há um golpe comunista e o resto do país vira República Socialista da Tchecoslováquia. Em 1968 é transformada numa confederação como consequência da Primavaera de Praga, sendo que as duas repúblicas em que foi dividida (República Tcheca e Eslováquia) correspondem aos países modernos com o mesmo nome. Em 1992, após a queda do comunismo, ocorre a divisão em dois países separados.
     Porém, desde 1918, sendo um único país, a seleção continha tanto jogadores tchecos como eslovacos. O que veremos nessa postagem é em que proporção eram. Começando pela Copa do Mundo de 1934.
    Jogando sua primeira Copa do Mundo, o começo é excepcional. Tendo em seu elenco o excelente goleiro Planicka e os grandes Puc e Nejedly (que seria artilheiro da Copa), começa com uma vitória de virada por 2x1 contra a Romênia - gols de Puc e Nejedly. Nas quartas, o jogo é contra a Suíça, que sai na frente. A Tchecoslováquia vira a partida, sofre o empate e aos 37 do segundo tempo, Nedejly marca o gol da classificação. O adversário da semifinal era a Alemanha do poderoso Edmund Conen. Vitória tchecoslovaca por 3x1, 3 gols de Nejedly - sempre ele. Na final, o adversário é a Itália de ninguém menos que Giusuppe Meazza. O time do Leste Europeu ainda sai na frente, com gol de Puc, mas aos 36 do segundo tempo Orsi empata para a Itália, que consegue a virada nos acréscimos. Em seu campeonato de estreia, o título não veio por muito. Essa era a composição dos jogadores:


     Como pode ser visto, era praticamente um time tcheco, com apenas alguns jogadores não o sendo.
     Já na próxima Copa, em 1938, a composição era semelhante:


    Devido a falta de dados, não foi possível achar o local de nascimento de grande parte dos jogadores, porém ainda sim é notado um predomínio absoluto de tchecos. O primeiro time enfrentado é a Holanda - até então uma nanica do futebol mundial. Após um empate por 0x0 no tempo normal, consegue fazer acachapantes 3x0 na prorrogação para enfrentar o Brasil nas quartas de final. Contra o escrete canarinho consegue um empate por 1x1, com Leônidas marcando para os brasileiros e Nejedly salvando o time europeu. Na revanche (não havia disputa por pênaltis na época), a Tchecoslováquia até sai na frente, porém, novamente com gol de Leônidas da Silva, o Brasil vira a partida e avança para as semifinais para enfrentar a Itália - que venceria e acabaria sendo a bicampeã do torneio.
     Não jogou as eliminatórios para a Copa de 1950, no Brasil, portando não se classificou. Porém, em 1954 estava de volta. Agora sem estrelas, cai num grupo mais difícil, com Escócia, Uruguai - de Míguez, Santamaria, Schiaffino, Andrade e Obdulio Varela e Áustria - de Ernst Happel, futuro técnico de muito sucesso, Wagner e os grandes Ocwir e Probst, este que acabaria vice-artilheiro da Copa, com um hat trick marcado sobre a Tchecoslováquia - que perderia o outro jogo para o Uruguaio, por 2x0, e se despediria da Copa sem marcar gols.


     Sobre os jogadores destas copas são há muita informação, sendo que muitos o local de nascimento é desconhecido, porém já começa a se notar um grande aumento do número de eslovacos.
     Agora na Copa de 1958, a primeira ganha pelo Brasil, o elenco já apresenta jogadores que se tornariam importantíssimos e respeitados, como Schrojf, Popluhár, Pluskal, Scherer (que foi reserva) e o grande craque Masopust. Caiu num grupo com a Alemanha Ocidental de Rahn, Seeler e o gênio da bola Fritz Walter, com a Irlanda do Norte - que seria uma surpresa e com a Argentina que contava com dois jogadores do lendário time do River Plate da segunda metade da década de 40 - Amadeo Carrizo e Angel Labruna. Começou com uma derrota por 1x0 para a Irlanda do Norte, para depois empatar em 2x2 com a Alemanha Ocidental (após estar vencendo por 2x0) e uma goleada impiedosa de 6x1 sobre a Argentina. Empatou em pontos com a Irlanda do Norte e disputou um jogo playoff contra ela (na época não havia classificação por saldo de gols, que hoje beneficiaria a Tchecoslováquia), perdendo por 2x1 de virada. Um dos destaques do time foi Zikán, que marcou 4 gols na competição. Sua composição era, como vemos, mais equilibrada:


    Ainda havia um número muito grandes de jogadores de origem desconhecida - ainda que um tanto menor - fato este que atrapalha real mensuração da origem dos jogadores. Porém, pode ser notado, tal qual em 1954, um número elevado de atletas eslovacos.
    1962 - Foi o ano da glória para a Tchecoslováquia. Ficou no grupo 3, com o Brasil de Pelé (que se lesionou e quase não jogou), Garrincha e cia., o México do goleiro Carbajal (que é até hoje um dos 3 únicos jogadores a jogar 5 Copas do Mundo, junto com o alemão Matthaus e o italiano Buffon) e a Espanha, que contava com vários grandes jogadores - muitos naturalizados - como Gento, Puskás, Di Stéfano, Santamaría e Luis Suárez, porém todos já em idade mais avanaçada, não rendendo tanto, tendo isso como resultado a Espanha ocupar a lanterna do grupo. Após se classificar aos trancos e barrancos - vitória sobre a Espanha, empate com o Brasil e derrota para o México - a Tchecoslováquia enfrenta a Hungria nas quartas da final, que apesar de não ser a mesma de 54, contava com bons nomes como Tichy, Albert e o goleiro remanescente dos Magiares Mágicos Grosics. Vitória apertada por 1x0, gol de Scherer. Então enfrentaria a Iugoslávia, que tinha em seu elenco Jerkovic, que seria um dos 6 artilheiros da Copa, com 4 gols. Vitória difícil por 3x1. Até os 35 minutos no segundo tempo o jogo estava 1x1, até Scherer desencantar e fazer dois gols para garantir a classificação. A final era contra o poderoso Brasil, que apesar de estar desfalcado de Pelé (que fora substituído por Amarildo), vinha com Garrincha numa fase estrondorosa. Com apenas 15 minutos de jogo, o maestro tchecolovaco Masopust abre o placar, jogando a responsabilidade para cima do Brasil, que dois minutos depois conseguiu empatar com Amarildo. No segundo tempo, Zito faz o segundo do Brasil e Vavá o terceiro, para acalmar a seleção brasileira, acabando com o sonho tchecoslovaco de título - pela segunda vez.


     Com um número quase igual de eslovacos e tchecos, esta foi a melhor participação tchecoslovaca em copas.
     Em 1966 cai no grupo de Portugal de Eusébio nas eliminatórias e não consegue a classificação, porém em 1970 está de volta à Copa.



    Neste ano se nota algo inverso das primeiras seleções a classificaram para copas: há um grande domínio eslovaco em vez de tcheco. Com um grupo mais modesto, fez campanha ruim. Caindo no grupo do fabuloso Brasil de 70 (sendo goleado por 4x1 pelo mesmo), da então campeã mundial Inglaterra, que ainda contava com Banks, Moore e Charlton e da Romênia, perde todos os jogos e fica na lanterna.
    Nas eliminatórias para a Copa de 1974, cai no grupo da Escócia de Joe Jordan, Dalglish, Denis Law e Billy Bremner e não consegue a classificação. Em 1978, também não consegue se classificar, caindo novamente para a mesma Escócia, que apesar da ausência de Law, compensava com Gemmil, Souness e Robertson. Em 1982 porém a Tchecoslováquia está de volta. Ficou num grupo forte, que apesar da fragilidade do Kuwait, compensava com a força da Inglaterra do craque Kevin Keegan e principalmente da França de Rochteau, de Tigana e do fabuloso Michel Platini. Após empate com Kuwait e França e derrota para Inglaterra, fica fora da segunda fase. Sua composição era um tanto diferente da de 1982:



    A coisa se inverte: há novamente um domínio de tchecos, lembrando as primeiras copas, porém desta vez com um número considerável de eslovacos.
     Em 1986, não conseguiu se classificar, ficando atrás de Portugal de Paulo Futre da Alemanha Ocidental de Rummenigge nas eliminatórios. Já em 1990, conseguiu sim, tendo como destaque Skuhravý. Ficou num grupo meio complicado, com a Áustria, os EUA de Kasey Keller, Tab Ramos e Tony Meola e a Itália de Zenga, Baresi, Maldini, Mancini, Donadoni e o então reserva e improvável futuro artilheiro da Copa, Salvatore (Toto) Schillaci. Após conseguir uma goleada por 5x1 contra os EUA (com dois gols de Skuhravý) e uma vitória pelo placar mínimo contra a Áustria, entra na última rodada, contra a Itália, já classificada e perde por 2x0. Nas oitavas enfrenta Costa Rica do goleiro Conejo e do brasileiro naturalizado Alexandre Guimarães. Goleia impiedosamente por 4x1, com hat trick de Skuhravý. Nas quartas, enfrenta a poderosa Alemanha Ocidental e é derrotada pelo placar mínimo, com gol de Matthaus de pênalti. Ali acaba o sonho tchecoslovaco, sendo este o último jogo do país em Copas do Mundo. Sua composição era a mais equilibrada da história, com quase o mesmo número de jogadores da Eslováquia e da República Tcheca, como podemos ver:


     Dois anos depois a Tchecoslováquia acabaria, no chamado Divórcio de Veludo. Somando todas as participações, temos uma tabela assim:


     A maioria absoluta dos jogadores era tcheca, porém ainda sim se notava um número muito grande de eslovacos. Somando eles aos tchecos e aos desconhecidos - a maioria de origem tcheca e eslovaca - temos cerca de 98% dos jogadores. Os outros 2% restantes são jogadores nascidos em outros países do Leste Europeu.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Jogadores iugoslavos e suas origens

     A finada Iugoslávia, como se sabe (ou se deveria saber), é um grande caldeirão étnico-religioso. Povos diferentes entre si que por décadas foram unidos sob a mesma pátria até a desintegração da mesma, na década de 90. O que sobrou da então Iugoslávia foram 7 "países". Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro, Kosovo (que a Sérvia afirma ser seu território), Macedônia e Bósnia Herzegovina. Muita coisa, não? Fica mais complicado ainda. Um território do norte da Sérvia, chamado Voivodina, também busca independência. E a Bósnia é separada em duas entidades autônomas: a Federação da Bósnia Herzegovina e a República Sérvia (não confundir com o país Sérvia), na qual predomina o povo sérvio, muitas vezes saudoso da Iugoslávia. Após a desintegração, o nome continuou Iugoslávia porém só compreendeu o território das atuais Sérvia, Montenegro, Kosovo e Voivodina. Em 2006, Montenegro declarou independência. Em 2008, foi a vez de Kosovo se declarar independente, sendo que a herdeira direta da Iugoslávia é a atual Sérvia.
     A Iugoslávia originalmente não era todos esses países juntos nem tinha esse nome. Após por muitos anos ser parte do Império Otomano - que viria a formar a Turquia, os sérvios e os montenegrinos conseguem independência dos otomanos (como países separados). Porém, grande parte do que viria a ser a Iugoslávia era parte do então Império Austro-Húngaro. Há, na Europa a ideia do nacionalismo muito em voga, o que impulsa o movimento pan-eslavista, que pregava a união dos povos eslavos. Inclusive, a ânsia pan-eslavista e nacionalista sérvia leva ao assassinato do Arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando causando a Primeira Guerra Mundial, e com ela a dissolução da Áustria-Hungria. Parte do território austro-húngaro (esta parte que se declarou independente, formado o Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios) decide se unir com o Reino da Sérvia (que na época também compreendia a Macedônia) e o Reino de Montenegro e forma o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que em 1929, sob comando do Rei Alexandre I da Iugoslávia, vira Reino da Iugoslávia.
     Com a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia sofre um golpe de estado e em seguida é invadida e dividida. Parte do território vai para países aliados do Eixo e outra parte se transforma em Estados fantoches, como o Estado Independente da Croácia, comandada por Ante Pavelic, chefe de um movimento católico-fascista chamado Ustase e o Governo de Salvação Nacional, que era no que hoje é a Sérvia, comandado por Milan Nedic.
     A partir de então surgem os partizans, que são uma guerrilha que lutava contra a dominação estrangeira. Os partizans são liderados por Josip Broz Tito - que seria presidente iugoslavo até sua morte, em 1980. E com apoio limitado das potências estrangeiras Aliadas, Tito consegue expulsar os alemães e italianos e forma, em 1945 a República Popular Federal da Iugoslávia, em 1963 renomeada para República Socialista Federal da Iugoslávia, baseado no nacionalismo eslavo, comunismo, autogestão socialista e independência tanto da URSS como dos EUA, liderando o Movimento dos Não Alinhados, que buscava reunir num grupo países que não se alinhavam politicamente nem com a URSS nem com os EUA durante a Guerra Fria. Após a morte de Tito em 1980, os movimentos independentistas ganham força e acabam por desintegrar o país, passando por guerras muito violentas.
     Muito se diz que se a Iugoslávia fosse hoje unida seria uma séria candidata a ganhar a Copa do Mundo. Porém o foi por muitos anos, havia apenas a seleção iugoslava, que conseguiu chegar até as semifinais de uma Copa do Mundo. Um de seus grandes times foi de 1990, que tinha em seu plantel jogadores como Pancev, Stojkovic, Boksic, Prosinecki e o grande Davor Suker, artilheiro da Copa do Mundo de 1998, na França. Uma união de tantos países só podia resultar em gente de muitos países diferentes jogando sob a mesma camisa, não? Acompanhe nas seguintes estatísticas o quão sérvia, o quão bósnia, o quão croata eram as seleções iugoslavas.
    A primeira: a seleção que jogou a Copa de 1930, no Uruguai. Fez uma grande campanha e chegou às semi-finais. Começou caindo no grupo de Brasil e Bolívia. Estreia em copas vencendo o Brasil por 2x1 e goleando a Bolívia por 4x0, se classificando para as semifinais, nas quais enfrenta o poderoso Uruguai de Cea, Scarone e do "Manco" Castro, que não tinha uma mão. Porém, como podemos ver, era praticamente uma seleção sérvia.


      Dos 17 jogadores, 14 eram sérvios, 1 voivodinense (que ainda hoje são sérvios), 1 montenegrino (que até poucos anos também seria sérvio) e um cuja origem é desconhecido, devido ao acesso a informações ser mais precário na época.
    Nas eliminatórias para a Copa de 1934, cai no grupo de Suíça - que sai vencendo por 2x0 mas deixa empatar - e Romênia, Após a derrota para Suíça, a mesma enfrenta a Romênia, que também abre 2x0 na Suíça e deixa empatar. No entanto, a Romênia usou um jogador irregular, portanto o resultado ficando 2x0 para a Suíça, que se classificou. Então Romênia e Iugoslávia jogam - em Bucareste, capital romena - o último jogo, valendo vaga. A Iugoslávia tinha a vantagem do empate e estava exercendo até os 29 do segundo tempo - quando o austro-húngaro de nascimento Dobay marcou 2 a 1 para os romenos. Como o placar se manteve, os romenos se classificaram e os iugoslavos ficaram a ver navios.
    Já em 1938 nas eliminatórias enfrenta a Polônia. Na ida, em Varsóvia, toma acachapantes 4x0 (com um gol de Ernest Wilimovski, que depois faria 4 gols na seleção brasileira num histórico jogo vencido pelos brasileiros por 6x5), ganhando de 1x0 na volta e sendo eliminada pela média de gols.
    Em 1950, no pós-guerra e já vivendo sob um o domínio titoísta, caem no mesmo grupo da fraca seleção israelense nas eliminatórias. Vencem os dois jogos - por 6x0 em casa e 5x2 fora - e partem para enfrentar a França. Empatam por 1x1 tanto em Paris como em Belgrado, e partem para um emocionante jogo-desempate em Florença, na Itália. Mijahlovic abre o placar aos 12 minutos, com Walter empatando um minuto depois para os franceses. Aos 38 do segundo tempo Luciano vira o jogo para os jogadores da terra de Asterix e Obelix. Quando tudo parecia estar perdido, Mihajlovic novamente marca, de pênalti, levando para a prorrogação. Aos 9 minutos do segundo tempo da prorrogação, o croata Cajkovsi faz gol, este que carimba o passaporte iugoslavo rumo ao Brasil. A origem de seus jogadores era a seguinte:


       Como pode ser visto, um grande domínio de jogadores croatas, com um número considerável de sérvios e voivodinenses. Também há uma pequena presença de bósnios e ainda um jogador de origem incerta. Nesta edição caiu no grupo de Suíça, México e Brasil, e venceu os dois primeiros (os suíços por 3x0 e os mexicanos por 4x1), jogando a vida ou morte contra o Brasil. Tendo a vantagem do empate, perde por 2x0 com gols de Ademir de Menezes e Zizinho (futuros artilheiro e melhor jogador da Copa, respectivamente) e pára na primeira fase.
     Em 1954 uma classificação foi possível, caindo no grupo de Grécia e Israel. Venceu todos os jogos pelo placar mínimo - todos gols marcados por jogadores diferentes. Se nota uma estrutura muito parecida em questão de origens, praticamente inalterada.


Somente duas diferenças: um sérvio a menos, enquanto tivemos a adição e um montenegrino de mais um voivodinense. Pegou também um grupo quase idêntico ao de 1950: Brasil, México e França. No entanto, desta vez conseguiu se classificar após vencer a França e empatar com o Brasil. Nas quartas-de-final enfrentou a poderosa Alemanha de Rahn e Fritz Walter e foi eliminada, numa derrota por 2x0.
    Vivendo uma boa geração, a classificação para a Copa de 1958 aconteceu de maneira emocionante. No mesmo grupo de Grécia e Romênia, vinha de dois empates fora de casa e uma vitória em casa até o jogo final, contra a Romênia, valendo vaga, em Belgrado, capital iugoslava. Tendo que vencer, Milutinovic, um dos grandes craques iugoslavos, marcou os dois gols, Porém, o time era muito diferente - falando em questão de origens.


    Houve uma diminuição grande do número de croatas, havendo um aumento de voivodinenses e principalmente de montenegrinos. Caiu no mesmo grupo de Paraguai, Escócia e a temível França de Piantoni, Kopa e Fontaine, vencendo a mesma por 3x2 e passando de fase em segundo lugar, com mais dois empates - o último emocionante, um 3x3 contra os paraguaios. Nas quartas enfrenta novamente a Alemanha e perde de novo, novamente com gol de Rahn, desta vez o único da partida.
     1962: fez a segunda melhor campanha da sua história, ficando em quarto lugar. Começa as eliminatórios no grupo de Polônia e Islândia, que viria a desistir. Contra a Polônia empata fora e vence em casa, passando para o jogo com a Coréia do Sul - um grande jogo com um fundo ideológico, sendo que a Coréia do Sul havia passado por uma guerra com o vizinho socialista Coréia do Norte. Vence os dois jogos com facilidade, 5x1 em Seul e 3x1 em Belgrado. Seu time era assim:


    Desde o começo você deve estar pensando porque havia um quadro para jogadores alemães e italianos. Aqui ele começa a fazer sentido. Petar Radakovic nasceu em Fiuma, na Itália. Apesar de hoje fazer parte da Croácia, ainda fala um dialeta do veneziano. Esse equipe iugoslava era a mais diversa, havendo gente de todo lugar - menos da Eslovênia. Se destaca o grande número de sérvios e bósnios. Na fase de grupos enfrentou o Uruguai, a Colômbia e ninguém menos que a poderosa URSS de Lev Yashin. Estreia perdendo para a URSS, depois vencendo o Uruguai por 3x1 e goleando a Colômbia por 5x0, selando a classificação. Após a classificação para as quartas de final, enfrentou quem? Isso mesmo, pela terceira vez seguida, a Alemanha. Desta vez, conseguiu vencer por 1x0  num jogo disputadíssimo - o gol da vitória veio aos 40 do segundo tempo - porém levou 3x1 nas semifinais da Tchecoslováquia de Masopust, Schrojh, Popluhár e Pluskal. Na decisão de terceiro lugar, perdeu para o anfitrião Chile pelo placar mínimo, com um gol aos 45 do segundo tempo.
     Após duas edições fora das copa, voltou a disputador a mesma em 1974.


     Em 1966 cai no grupo da fraca Luxemburgo, além de Noruega e da poderosa França. Com duas derrotas fora de casa fica em terceiro lugar e não consegue se classificar.
     Já na próxima edição, em 1970, fica no mesmo grupo de Bélgica, Espanha e Finlândia. Apesar de golear a Finlândia duas vezes - 9x1 e 5x1- se complica contra a Espanha e acaba em segundo lugar, ficando de fora.
     Na outra edição das eliminatórios, em 1974, fica no grupo de Espanha e Grécia. Empata com a Espanha em pontos e vence o jogo-desempate contra a mesma em Frankfurt, por 1x0 e garante sua vaga na Copa.
     Outra vez com um equipe muito diversa (no entanto com muitos sérvios), caiu no mesmo grupo de Brasil, Escócia e Zaire. Passou em primeiro lugar, metendo históricos 9x0 na seleção do Zaire. Na segunda fase, caiu no grupo da poderosíssima Alemanha Ocidental, de Sepp Maier, Beckenbauer, Gerd Müller e cia, a Polônia de Tomaszewski, Zmuda, Deyna, Szarmach e o artilheira da copa, Lato, além da Suécia. Ficou em último no grupo e não foi às semifinais.
     Em 1978 fica no grupo de Espanha e Romênia. Vivendo grave crise no futebol, só consegue uma vitória - um histórico 6x4 contra a também socialista Romênia em Bucareste - e fica na lanterna do seu grupo, nem passando perto de disputar a Copa.
    Mas em 1982 a vaga vem, e de maneira gloriosa. Caindo no grupo de Luxemburgo, Grécia, Dinamarca e a poderosíssima Itália (que viria a ser campeão da Copa) e passa em primeiro lugar, vencendo 6 jogos (3 por goleada), empatando um e perdendo apenas um, para a Itália em Torino, empatando a volta em casa. Caindo no grupo de Espanha, Irlanda do Norte e Honduras, decepcionou. Empate com os irlandeses, derrota para os espanhóis e vitória apenas contra a fraca Honduras - com um gol de pênalti aos 43 do segundo tempo, ficando em terceiro lugar e então desclassificado. Outra vez diversa, porém com alto número de bósnios e croatas, sua composição era a seguinte:


     Em 86, não conseguiu a classificação. Caindo no grupo de Luxemburgo, Alemanha Oriental, Bulgária (que dentro do país começava a se destacar o futuro craque Stoichkov) e a França de Platini. Decepciona perdendo os dois últimos jogos - o último, contra a França em Paris, dava a vaga com vitória eslava - e ficando apenas em quarto lugar. Porém conseguiu em 1990, formando um de seus maiores times da história. Começou as eliminatórias no grupo de Chipre, Noruega mais a poderosa França e a sempre chata Escócia. Não só se classificou líder como invicto, com vitórias em todos jogos menos em Glasgow e em Paris. Caindo no mesmo grupo da futura campeão Alemanha Ocidental de Matthaus e da Colômbia de Higuita, Escobar, Valderrama e Rincón, se classificou em segundo lugar. Após ser goleada por 4x1 pela Alemanha, venceu a Colômbia e goleou os fracos Emirados Árabes Unidos, num jogo em que não ser goleado bastava para classificação. Quem comandou o show foi Pancev, com dois gols. Nas oitavas de final, ganhou da Espanha, com dois gols de Stojkovic, um no tempo normal e um na prorrogação, tendo perdido nas quartas para a Argentina de Maradona, ainda que somente nos pênaltis, em que o goleiro sulamericana Goycochea - que depois viria ter uma curta carreira no Internacional - brilhou, defendendo as cobranças de Brnovic e Hadzibegic. Seu time era assim:


    A última copa disputada pela Iugoslávia só não tinha kosovares, porém havia um alemão, Prosineki. Além dele, havim grandes jogadores como Stojkovic, Boksic e o futuro artilheiro de Copa do Mundo Davor Suker. Havia também um esloveno - apenas o segundo a disputar uma copa com a camisa da Iugoslávia. Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia declaram independência. Embora a guerra com os eslovenos tenha durado apenas 10 dias, a com a Croácia se tornou um conflito muito sangrento, e a com a Bósnia Herzegovina um conflito mais sangrento ainda, emq ue a Iugoslávia, na época comandada pelo sérvio genocida Slobodan Milosevic, fez horroes com o poovo bósnio, que até hoje vive dividido e em estado de tensão racial. Devido às guerras, foi banida da Copa de 1994. Após as guerras acabarem em 1995 (curiosamente, a Macedônia se separou sem tanto alarde), a Iugoslávia ainda disputou a Copa de 1998, porém já sendo nem sombra do que foi, sendo reduzido apenas à Sérvia, Montenegro, Kosovo e Voivodina. Acumulando todas as participações em copas, temos a seguinte disposição:


     Croatas e eslovenos empatam em número de jogadores (croatas vencem se considerar Fiume como Croácia), milhas a frente dos segundos colocados, bósnios. Seguidos de voivodinenses, montenegrinos e então um equilíbrio muito grande entre o número de jogadores de outras nações.